De acordo com estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), haverá um crescimento no setor de pecuária sustentado por um mercado consumidor de carne bovina crescente nas próximas duas décadas. O aumento considerável da demanda alimentícia vem a partir do próprio crescimento da população mundial, mas em especial, da China, que apenas em 2018 comprou o correspondente a 43,6% de todo o montante exportado de carne brasileira.
Inovações tecnológicos
Para atender essa procura será necessário algumas adequações dentro e fora da porteira. Segundo estudo publicado pelo Centro de Inteligência da Carne Bovina da Embrapa Gado de Corte (CICarne), até 2040, metade dos pecuaristas devem deixar a atividade por não se adaptarem às mudanças e tecnologias necessárias para que o negócio seja rentável. A crítica não é quanto aos atores da pecuária, mas sim ao formato como a atividade é conduzida: de acordo com a publicação, as grandes tendências são a melhor gestão do negócio, a digitalização e a intensificação produtiva. A cadeia da pecuária de corte movimenta bilhões todos os anos, e tem uma participação significativa no PIB nacional. Contudo, é necessário olhar além dos números e buscar por soluções sustentáveis que transformarão toda a cadeia produtiva, desde a indústria de insumos até a carne na prateleira do supermercado. “Terras muito valorizadas e ágio na relação entre boi gordo e bezerros, aliados ao alto custo de produção, levaram obviamente ao profissionalismo na forma de conduzir o negócio, valorizando como essenciais os ajustes finos e técnicos para que o produtor se mantenha na atividade. O cerne do cálculo da rentabilidade deixou de ser ocupação de novas áreas e passou a ser o aumento de produtividade, o que exige tecnologia, profissionais, planejamento e gestão.”, destaca a Zootecnista Renata Erler
O futuro da pecuária no Brasil
Segundo a especialista, a tendência é que a pecuária brasileira produza mais carne em menos área, e que o país ocupe maior espaço no cenário internacional, exportando desde genética à produtos altamente especializados e de elevado valor agregado. “A pesquisa apenas confirma o que já vemos em outros segmentos, e representa um aviso de que o caminho da profissionalização continuará evoluindo, não tem retorno. Cada dia mais, será necessária a presença de pessoas especialistas na atividade para atender aos pecuaristas. O resultado desse processo será que, em 2040, teremos uma atividade mais rentável, profissional e sustentável”, concluiu. Por fim, devemos presenciar muitas mudanças dentro deste cenário. Mesmo assim, esta pode ser uma grande oportunidade para a cadeia da carne bovina mostrar ao mundo como os processos produtivos, tanto no campo como na indústria, são confiáveis, fazendo da inovação digital uma força disruptiva para os próximos anos.