Os preços recordes do café canéfora têm incentivado produtores no Espírito Santo a investir na expansão de novas áreas de plantio, na renovação de cafezais antigos por mudas mais produtivas e em melhorias estruturais, como a ampliação da irrigação.
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Expansão do café Conilon exige planejamento e investimentos estratégicos
O estado é o segundo maior produtor de café do Brasil, atrás apenas de Minas Gerais, com expressiva produção de arábica e conilon. Além disso, é o maior produtor de café conilon do país. No contexto global, o Brasil ocupa a segunda posição na produção de café canéfora, ficando atrás apenas do Vietnã.
Nos últimos anos, condições climáticas adversas impactaram as lavouras do Vietnã e da Indonésia, reduzindo a oferta de café nesses mercados. Diante disso, os cafeicultores brasileiros aproveitaram a oportunidade para aumentar suas exportações e expandir a produção, o que impulsionou novos investimentos no setor.
Expansão e planejamento são fundamentais
Os irmãos Paulo Henrique e Ricardo Camata, produtores de Nova Venécia, estão entre os agricultores que decidiram investir na área de cultivo de café conilon. O investimento na nova lavoura foi cuidadosamente planejado para garantir alta produtividade e mecanização eficiente.
“O café é uma atividade consolidada na região e de manejo relativamente fácil. Mas, para crescer com segurança, é essencial investir em estrutura”, destacou o produtor Paulo Henrique Camata.
Para garantir a viabilidade da nova área, eles investiram na construção de barragens e no plantio. Ricardo Camata, produtor rural, ressalta que o plantio foi projetado com “espaçamento de 0,5 metro entre as mudas e 3,70 metros entre as fileiras. Isso permite o uso de tratores para aplicação de herbicidas, pulverização e colheita mecanizada”.
O planejamento incluiu a aquisição de mudas da Cooabriel, análise e correção do solo com calcário, gesso e fósforo, garantindo condições ideais para o desenvolvimento das plantas.
Jeferson Melo, engenheiro agrônomo, aponta que a lavoura precisa ser tratada como um empreendimento. “Nós fazemos levantamento de custos, projetamos o tempo de retorno do investimento e planejamos cada etapa para garantir a rentabilidade do produtor”.
A nova lavoura contará com mais de 30 mil mudas, e a expectativa dos produtores é colher 100 sacas de café conilon por hectare ao final do ciclo. Para isso, o planejamento foi essencial para evitar prejuízos, mesmo diante da valorização da saca.
O produtor Paulo Henrique destaca a importância de estruturar bem o plantio para garantir rentabilidade. “Se não houver planejamento, o produtor pode perder dinheiro, mesmo com a saca valendo R$ 2 mil. O custo de produção está subindo, e é preciso organizar bem os investimentos para evitar prejuízos”, afirmou.
Já Ricardo Camata acredita que o cenário futuro para o café é positivo, o que motiva os investimentos na lavoura. “Vamos continuar investindo porque acreditamos que o preço do café continuará valorizado. O consumo mundial está crescendo acima da produção, e a lei da oferta e demanda deve manter o mercado aquecido”, avaliou.
O engenheiro agrônomo Jeferson Melo reforça a necessidade de profissionalização do setor e de um bom planejamento desde o início. “Os primeiros anos de uma lavoura determinam sua produtividade no futuro. Se o plantio for mal feito, os impactos serão sentidos por muito tempo. Por isso, é fundamental buscar assistência técnica para garantir um bom desenvolvimento da plantação”, explicou.
Mercado aquecido impulsiona investimento
O mercado de canéfora está aquecido devido à forte demanda. Dados do Cepea indicam que, em janeiro de 2024, a saca de café conilon foi comercializada a R$ 854,00. Em janeiro de 2025, o preço saltou para R$ 2.074, um aumento histórico para o setor.
O aumento das áreas cultivadas deve contribuir para manter a oferta de café, mas exige investimentos em infraestrutura hídrica. Com as estiagens se tornando mais frequentes, muitos produtores estão investindo na construção de pequenas barragens.
No Espírito Santo, os agricultores, interessados em ampliar a segurança hídrica de suas propriedades, podem financiar barragens com crédito anunciado pelo governo estadual.
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