A obra de alargamento da faixa de areia da praia de Meaípe, em Guarapari, entrou em uma nova fase, após um mês de início. Nesta sexta-feira (17), a draga, embarcação responsável por captar o material do fundo do mar e transportar para o litoral, ampliando a largura da praia, começou a funcionar.
A operação foi comemorada com muita gritaria de alegria e palmas pelos moradores, que sofriam há anos com a erosão constante no local.
“Isso é a realização de um sonho para a comunidade. Outros lugares têm a mesma necessidade e nós fomos contemplados. Foi um trabalho de anos na busca dessa obra e agora estamos vendo ela ser realmente executada”, declara o presidente da Associação de Moradores de Meaípe, Vinícius Gramiscelli.
A tubulação que faz o transporte entre o mar e a orla tem 800 metros de extensão. Em um dia de funcionamento, a draga transportou cerca de 15 mil metros cúbicos de areia.
E as mudanças são perceptíveis: no local onde ela despejou o material a faixa de areia está bem maior do que do outro lado da praia.
A expectativa é que a faixa fique bem maior, chegando a 80 metros. Ao todo, serão utilizados aproximadamente 1,2 milhão de metros cúbicos de areia.
“Nós estamos trabalhando 24 horas por dia, sete dias por semana. Por turno, temos 10 operadores: cinco operando e cinco ajudantes. A equipe se divide aqui na terra e na embarcação temos 17 tripulantes”, contabiliza o gerente de obras da empresa Jan De Nul do Brasil, o holandês Steven De Baets.
A previsão é que a obra esteja concluída até o fim do semestre.
O morador Alexandre Vailante lembra bem de quando a praia era um cartão postal do Espírito Santo. “Meaípe era uma praia das mais movimentadas do litoral capixaba. Era até melhor do que Bacutia e Peracanga. Com a invasão do mar, o movimento aqui caiu e migrou para essas outras praias.
O avanço do mar vem causando destruição e prejuízos para moradores e comerciantes. Em 2019, uma ressaca destruiu quiosques e árvores. A água avançou cinco metros e invadiu casas. Até um carro foi levado pelas águas. Em 2021, uma ordem de serviço foi assinada, mas a obra só deu início em fevereiro deste ano.
Sobre a demora na intervenção, o diretor-presidente do Departamento de Edificações e de Rodovias do Estado do Espírito Santo (DER-ES), Luiz Cesar Maretto, explicou que há várias etapas a serem cumpridas.
“A gente faz um projeto inicial, apresenta para as empresas. Elas dão o preço e a empresa tem um período para apresentar e executar o projeto. Depois da aprovação, pelo governo do Estado, há a espera pelo licenciamento ambiental. Até peço desculpas à população pelo tempo longo e pela demora, mas tudo foi acompanhado passo a passo pelos moradores de Meaípe”, comenta.
Com informações do repórter Lucas Henrique Pisa, da TV Vitória/RecordTV