O ano de 2022 foi marcado pela vitória e muita celebração para a Universidade de Vila Velha (UVV). Os cursos de Direito e Relações Internacionais da instituição conquistaram o campeonato mundial de mediação da Adequate Dispute Resolution – Online Dispute Resolution (ADR-ODR), a International Online Meditation Competition. A competição internacional ocorreu por meio da plataforma Zoom e contou com participantes do Brasil, assim como da Bulgária, Cingapura, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Irlanda, Itália, Macedônia do Norte, Polônia e Turquia.
De acordo com o professor dos cursos de Comércio Exterior e Relações Internacionais da UVV e mediador extrajudicial Daniel Carvalho, nesse tipo de campeonato os participantes são avaliados em duas categorias: “mediação”, na qual atuam como mediadores, e “negociação”, quando atuam como parte e advogado. “É um campeonato em que se avalia as habilidades dos participantes em usar técnicas de mediação de conflitos para auxiliar a negociação entre duas partes em conflito (categoria mediação) e as técnicas de negociação empresarial para resolver a questão e criar propostas que sejam satisfatórias a ambas as partes”, explica.
Ele ainda conta que em cada rodada da competição, um caso fictício de embate entre empresas é entregue às equipes negociadoras (parte e advogado) que devem então negociar com a outra parte do conflito, com a ajuda de um mediador. “A ideia do campeonato é preparar os mediadores, negociadores e advogados do futuro a participar de um ambiente virtual de reuniões, resolvendo conflitos empresariais de modo rápido, seguro e sigiloso e sempre com o objetivo de gerar valor na mesa, atendendo e superando os interesses das partes em conflito”, fala o professor e mediador extrajudicial.
Segundo a professora de métodos adequados de solução de conflitos do curso de Direito, e coordenadora do Núcleo de Práticas Adequadas de Solução de Conflitos (NUPASC), Karime Silva Siviero Zocolotti, conta que para participar dessa competição, bastou apenas inscrever a equipe. Foi a primeira vez que a UVV participou da disputa que já está em sua terceira edição. Ela ainda comenta que o NUPASC também já se destacou em outra competição internacional, a ICC International Commercial Mediation Competition, considerada a mais importante competição do gênero, quando, no ano de 2020, avançaram até às quartas de final.
A preparação
A professora de métodos adequados de solução de conflitos do curso de Direito, e coordenadora do Núcleo de Práticas Adequadas de Solução de Conflitos (NUPASC), Karime Silva Siviero Zocolotti, ainda relata que a preparação para a competição foi bem intensa. Foram duas semanas de estudo, com simulações, feedbacks e discussão dos casos. Os encontros aconteciam todos os dias, com reuniões pela manhã e à noite, que muitas vezes acabavam indo noite adentro. Para ela , essa foi a oportunidade que tiveram para auxiliar os alunos a serem bons “afinadores de instrumento”, ou seja, para que conseguissem desenvolver suas técnicas de negociação e equipar a caixa de ferramentas para extrair o melhor resultado em qualquer mesa de negociação, sem depender do perfil do negociador que estará do outro lado.
“Aproveitando a analogia musical, é preciso que os negociadores façam a música soar bem em qualquer ambiente, seja um estádio, uma sala de concertos, um evento intimista ou um estúdio. Para que a música seja bem executada, é preciso ajustar o instrumento ao público e ao ambiente. Foi isso o que procuramos fazer, intensificando o treino com muitas simulações, alternando negociadores e advogados com perfis e características diferentes. Nesse sentido, o nosso grande diferencial é o trabalho em equipe. Todos os integrantes do NUPASC foram peça-chave para a conquista da vitória”, expressa Karime.
Já a estudante de Comércio Exterior e participante da competição Ana Paula Campagnaro, que ocupou o cargo de negociadora da equipe, conta que a busca por sempre evoluir e melhorar foi algo que fez parte do preparo. “Aprendemos cada detalhe da mediação, as regras básicas, maneira de agir e de se comunicar, como gerar propostas criativas e como alcançar um bom resultado ao fim do processo. É um preparo mais geral, sobre como mediar e negociar e como a gente faz para lidar com diferentes situações que podem acabar surgindo”, conta.
Para ela, equilibrar todo o preparo com faculdade e estágio não foi fácil, mas a mesma sente que todo esforço valeu a pena. “Fizemos alguns treinos desde o começo do ano com toda a equipe, mas, para chegar na competição com tudo certo, começamos um intensivão na segunda-feira e fomos até sexta. Isso porque a competição começava cedo no dia seguinte! Foi intenso e, felizmente, o resultado foi exatamente o que sonhamos”, expõe.
O sentimento de orgulho
O professor dos cursos de Comércio Exterior e Relações Internacionais da UVV e mediador extrajudicial Daniel Carvalho se sentiu com a alma lavada após vencerem a competição. “É uma sensação muito boa ver nosso trabalho dando resultados. Cada vez que nos superamos, e também superamos as expectativas que outros têm de nós, é uma alegria sem tamanho. Trazer resultados como estes para casa serve sempre para mostrar que nosso trabalho traz resultados quando nos dedicamos e trabalhamos duro. Ainda assim, acima de tudo, para cada prêmio que conseguimos, acho que o que me deu maior satisfação foi ver nossos alunos comemorando. A alegria e o aprendizado desses estudantes que estão se preparando para o mercado de trabalho é, sem dúvidas, a nossa maior recompensa”, relata.
A estudante Gabriela Leme estreou nas competições de mediação com a ADR-ODR International Online Mediation Competition este ano. Esse acontecimento que a marcou faz com que ela se sinta extremamente realizada, com um sentimento muito bom por trazer esse título para casa. Título esse que foi fruto de muito esforço, dedicação e trabalho em equipe.
A expressão que a estudante de Direito e membra da NUPASC, que atuou como advogada na competição, Nathália Augusta Woelffel Ferreira, usaria para o que sente sobre o resultado seria “walking on air”. “Estávamos empolgadas para essa competição, mas ter saído em primeiro lugar ainda é algo que estou absorvendo, porque ainda parece um sonho. Fico muito animada pelo futuro da nossa equipe tendo em vista o resultado que obtivemos! Estou empolgada para os novos projetos que vêm por aí”, cita.
Já a estudante de Comércio Exterior e participante da competição Ana Paula Campagnaro, diz que é uma realização. Ver que os esforços de todo o preparo levaram ao melhor resultado possível é extremamente gratificante para ela. “Esse não foi apenas uma realização do primeiro título do NUPASC, ou uma maneira de honrar todos os estudantes que passaram por lá e levar o nome do núcleo para algo tão incrível, mas foi uma realização pessoal de saber que temos toda a capacidade e preparo para chegar lá”, fala.
“É uma realização acadêmica e pessoal de saber que os frutos que plantei estudando estão dando resultados, abrindo portas para um futuro na área de mediação e de negociação, algo que sonho demais. A alegria de ter esse reconhecimento é indescritível e estou muito feliz, mesmo. Acho que a ficha ainda não caiu. Eram 22 equipes excelentes, todas de alto nível e com um preparo surreal, então chegar ao primeiro lugar mostra que estamos capacitados para isso. É uma mistura de animação, realização, felicidade e orgulho, da equipe e do trabalho que fizemos”, conclui.
O aprendizado
Além do sentimento de orgulho de toda a equipe e do processo de preparação dos alunos do NUPASC, que não pouparam esforços para trazer o ouro para a Universidade Vila Velha, a professora de métodos adequados de solução de conflitos do curso de Direito, e coordenadora do Núcleo de Práticas Adequadas de Solução de Conflitos (NUPASC), Karime Silva Siviero Zocolotti, sente que muito aprendizado dessa experiência foi proporcionado para ela e outros participantes. Ela percebe que “fez diferença estarmos inseridos num contexto de Universidade, que permite a troca de ideias e interação entre alunos de diversos cursos”.
Já a estudante de Comércio Exterior e participante da competição Ana Paula Campagnaro, conta que “tudo foi feito em inglês. Então, melhoramos o vocabulário com termos e um linguajar adequado, além de pronúncia e estrutura de texto, o que permitiu a gente expandir nosso contato com a língua. O contato com diversas culturas e identidades é uma das coisas
mais especiais que a gente traz. Tivemos sessões com pessoas de todos os cantos do mundo, aprendendo um pouco sobre cada cultura e sobre como, mesmo com diferenças, trabalhamos com o mesmo objetivo na mediação: solução de conflitos com respeito e ganhos mútuos. Isso é extremamente importante. E acredito que, no fim, o trabalho em equipe leva a gente a chegar longe”.
O professor dos cursos de Comércio Exterior e Relações Internacionais da UVV e mediador extrajudicial Daniel Carvalho, gosta de destacar dois aprendizados principais. “O primeiro é que o título é sempre a conquista de uma equipe inteira, não importa se você é quem aparece ou se você está nos bastidores. O título é de todo o NUPASC, inclusive daqueles alunos pioneiros que tomaram a iniciativa de fundar o grupo lá em 2016. A semente que eles plantaram está dando seus resultados”, diz.
“O segundo aprendizado, também neste sentido, é na verdade a constatação de que nenhuma área do saber se basta. Precisamos integrar os nossos saberes, nossas competências e habilidades para podermos crescer e ir longe. O ambiente de uma Universidade, com cursos de diversas áreas é essencial para isso e conseguimos tirar um bom proveito dele”, declara Carvalho.
A estudante de Direito e membra da NUPASC, Nathália Augusta Woelffel Ferreira, afirma que o aprendizado que fica é de que esse é o caminho do futuro. “Na fala de boas-vindas da competição disseram que nós estávamos sendo preparados para ser “the peacemakers of the next generation”. E essa é a lição que carrego comigo. Acredito muito que estamos pavimentando o caminho para um futuro melhor no que tange a resolução de disputas. E que esse caminho começa com a mudança da nossa própria mentalidade ao enxergar os conflitos. Fico animada pela perspectiva de continuar aprendendo e pela jornada que temos pela frente”, expressa.