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André Garcia se reúne com interventor da segurança do Rio para troca de informações

O encontro serviu aproximar as relações entre instituições, estabelecer prioridade no fluxo de troca de informações de inteligência e colaborações mútuas entre estados

André Garcia se reúne com interventor da segurança do Rio para troca de informações
Reunião aconteceu na sede do Comando do Leste, no Centro da Capital fluminense

O secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, André Garcia, se reuniu na tarde desta terça-feira (27), assim como os secretários da Segurança de São Paulo e Minas Gerais, com o interventor da Segurança Pública do Rio de Janeiro, general Braga Netto. O encontro aconteceu na sede do Comando do Leste, no centro da capital fluminense.

Na oportunidade, estiveram reunidos os comandos de Polícia Militar de Minas e São Paulo, Bombeiros, Polícia Civil, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. Também estiveram presentes integrantes do serviço de inteligência do Governo Federal, como a Abin, e Estados. O subsecretário de inteligência do Espírito Santo, José Monteiro Junior, representou o Espírito Santo.

Segundo a Secretaria de Segurança do Espírito Santo (Sesp), o encontro serviu também para aproximar as relações entre instituições, estabelecer prioridade no fluxo de troca de informações de inteligência e colaborações mútuas entre estados e o comando da intervenção.

Os estados querem celeridade e integração na área de inteligência para poder acionar os respectivos aparatos policiais nas divisas, quando necessário. Desde que a intervenção federal na segurança do Rio foi decretada pelo presidente Michel Temer, os estados vizinhos ao Rio reforçaram o patrulhamento nas cidades da divisa, acionando planos de contingência, com envio de unidades especializadas, helicópteros e até drones.

Havia um temor pela possibilidade de migração do crime organizado, caso houvesse uma saturação realizada pelas Forças Armadas no Rio, o que não ocorreu. Autoridades federais vocalizaram o risco, entre elas o então ministro da Defesa, Raul Jungmann, que assumiu nesta terça-feira o novo ministério da Segurança Pública.

Na reunião desta terça, porém, o risco de evasão de criminosos foi minimizado pelo interventor e também pelos secretários, conforme fontes que escutaram as avaliações. Eles avaliaram que esse é um problema menor e não causa receio aos secretários dos quatro Estados.

Conforme nota do Comando Militar do Leste, “foram estreitados ainda mais os laços de cooperação” e “discutidas providências para prevenir uma indesejável extrapolação, para além das divisas do Rio de Janeiro, dos efeitos decorrentes das medidas que estão sendo adotadas no Estado”.

Os secretários Mágino Alves (SP), Sérgio Menezes (MG) e André Garcia (ES) fizeram a primeira reunião com o interventor e ficaram de marcar um novo encontro. Nenhum deles concedeu entrevista ao fim da reunião, por orientação do general Braga Netto.

Depois de cobranças para auxiliar na segurança de outros estados cujos índices de criminalidade são ainda piores do que os do Rio, Temer disse nesta terça que os esforços não ficarão restritos ao estado.

Divisa Segura

A Operação Divisa Segura teve início na última quinta-feira (22), nos municípios que fazem divisa entre o Rio de Janeiro e Espírito Santo. Ao todo, são 198 km com 8 pontos de bloqueio e, segundo o comandante da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel Nilton Rodrigues, trata-se de uma medida de precaução.

“É uma medida de antecipação e precaução. Queremos avaliar com segurança se haverá qualquer tipo de impacto no Espírito Santo com a Intervenção Federal na Segurança Pública do Rio, por isso iniciamos hoje a operação. Estamos dedicando 150 policiais para a operação em 8 pontos de bloqueio em nossas divisas com o Rio de Janeiro, utilizando 40 viaturas, um helicóptero e três drones”, explicou.

Cooperação

O ministro da Justiça, Torquato Jardim, e os secretários dos três Estados que fazem divisa com o Rio de Janeiro, entre eles o Espírito Santo, anunciaram uma “cooperação política, financeira e operacional” entre os governos federal e estaduais para evitar possíveis consequências da intervenção no Rio nos territórios vizinhos.

A decisão foi tomada durante uma reunião na última quinta-feira (22), em São Paulo, entre o ministro e os secretários de Segurança de São Paulo, Mágino Alves Filho, do Espírito Santo, André Garcia, e de Minas Gerais, Sérgio Barboza Menezes. A única medida prática, porém, foi um protocolo de cooperação que permite a Polícia Rodoviária Estadual de São Paulo fazer operações em rodovias federais que ligam o Estado ao Rio de Janeiro.

Segundo o ministro, haverá cooperação política, financeira e operacional entre os estados e a União. “A eficiência será maior se trabalharmos todos juntos”, declarou Jardim.

Intervenção

O Senado aprovou, por 55 votos a 13 e uma abstenção, o decreto de intervenção federal no Rio de Janeiro para a área da segurança pública. Com a aprovação da medida pelos deputados e, agora, pelos senadores, o governo federal foi autorizado a nomear um interventor no estado devido ao “grave comprometimento da ordem pública”, como solicitado pelo presidente Michel Temer no último dia 16 de fevereiro.

A votação no Senado durou pouco mais de três horas, a metade do tempo utilizado pela Câmara para discutir e aprovar o decreto, por 340 votos a 72, na madrugada do último dia 20. É a primeira vez que a União intervém em um estado desde 1988.

Com informações de Estadão Conteúdo.