A gestação é um dos melhores momentos na vida de uma mulher. No entanto, quando complicações e problemas de saúde aparecem nesse período, os nove meses da gravidez podem se tornar ainda mais difíceis do que naturalmente já são.
A enfermeira Débora Oliveira, de 36 anos, viveu isso mais de uma vez e decidiu registrar todos os desafios que encarou durante a gestação em um ensaio fotográfico. Após sofrer quatro abortos espontâneos, ela teve o diagnóstico de trombofilia – uma mutação genética na placenta que impedia a circulação sanguínea para o embrião – e descobriu que, para ter a filha nos braços, deveria tomar injeções diárias.
“Antes de completar a gestação eu tive quatro abortos e depois fiz uma investigação para saber o que estava causando, porque os médicos falavam que era normal até o primeiro. Foi aí que eu descobri a trombofilia e entendi o que acontecia. Quando eu engravidava, a placenta apresentava alguns coágulos e e não havia circulação sanguínea para o embrião”, contou.
Chamadas carinhosamente por ela de “picadinhas do amor”, as injeções de heparina foram fundamentais para que a gravidez não apresentasse complicações. Ao todo, foram 210 injeções durante todo a gestação e, com apenas 16 dias de nascida, Rebeca foi fotografada ao lado dos medicamentos que a fizeram chegar ao mundo com saúde.
Tudo foi inesperado e Débora descobriu a quinta gravidez quando estava prestes a colocar um dispositivo intrauterino (DIU). Apesar de todos os desafios, ela afirma que faria tudo novamente e não descarta a possibilidade de uma outra gravidez futuramente
“Essa gravidez foi inesperada, eu não tinha planejado. Aconteceu que eu fui fazer uma ultrassom, para ver se estava tudo bem porque eu queria colocar o DIU, aí o médico falou que eu não tinha como colocar porque estava grávida. Nesse mesmo dia já comecei o tratamento, porque já tinha as injeções em casa. Olhando para ela aqui no meu colo bem e cheia de saúde, eu com certeza faria tudo outra vez”, afirmou.
O ensaio foi inusitado e emocionante para a fotógrafa Scheyla Mageste, que já conhecia a história de Débora e a acompanhou durante a gravidez.
“Ela já era nossa cliente, fez fotos grávidas e me disse que queria fazer fotos com todas as seringas que ela usou. Então, ela levou uma ideia que já tinha e eu reproduzi um pouco diferente. A Rebeca foi muito tranquila e nós ficamos emocionados porque quando montamos todo o cenário percebemos que era como se um filme passasse na cabeça dela e do marido”, contou.