Casos de violência contra pessoas com deficiência aumentaram em 300% em um ano, em todo o Brasil. No Espírito Santo, as maiores queixas são de maus tratos, abandono, agressão, lesão corporal e tortura física. Os dados são da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos.
De acordo com o órgão, durante o primeiro semestre de 2022 foram registradas 170 denúncias formais, contra 700 no mesmo período deste ano. Além disso, há quase 52 mil queixas de violência em todo o país.
Segundo a mestre em Direitos Humanos, Camila Moreira, a inclusão e a educação são fundamentais para dar dignidade a pessoas com deficiência.
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“Desde 2016, com entrada em vigor do Estatuto da Pessoa Com Deficiência, as pessoas com deficiência deixam de ser tratadas como pessoas que devam ficar em casa, recebendo cuidados, e passam a ser pessoas que estão ativamente no nosso meio social. A acessibilidade vem justamente para dirimir essas diferenças”, disse.
Ainda segundo ela, é de extrema importância que estas pessoas conheçam seus direitos para que possam denunciar violências ou desrespeito pelos canais adequados.
“Então quando a gente fala disso, a gente fala de uma necessidade de empoderar essas pessoas, levar conhecimento, saber que não é uma condição a que elas se sujeitem a algum tipo de violência, e quando essas violências acontecerem, elas podem procurar os canais para denunciar”, complementou.
Relatos de quem sente na pele
A atendente de relacionamento Cecília Ruiz conhece muito bem as violências e o desrespeito que podem acontecer a pessoas com deficiência no dia a dia. Ela explica que já chegou a ser eliminada de uma entrevista de emprego por conta de sua condição.
“Já tive uma proposta de emprego interrompida no meio da entrevista, porque foi só quando a entrevistadora percebeu que eu era cadeirante, achei até meio antiético da parte dela, e já tive várias e várias vezes o não atendimento em lojas simplesmente por ser uma pessoa com deficiência”, relatou.
Cecília reafirma a necessidade por inclusão e necessidade e lembra que pessoas com deficiência têm vidas plenas e ativas na sociedade atual.
“Eu pratico esporte, eu trabalho. Eu vivo minha vida normalmente, tenho apenas uma limitação que é o uso da cadeira de rodas”
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*Com informações do repórter Paulo Rogério, da TV Vitória/Record TV