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Cobras, jacarés e aranhas: mais de 3 mil animais silvestres foram apreendidos no ES em 2021

De acordo com a Polícia Militar, por ano, em média, cerca de 5 mil animais silvestres foram recolhidos no Espírito Santo

Foto: Divulgação / Polícia Federal

Somente neste ano, mais de 3 mil animais silvestres foram resgatados no Espírito Santo. Aves, tarântulas, cobras, jacarés e outros apreendidos pela Polícia Federal, fazem parte de um esquema milionário de tráfico de animais.

De acordo com a Polícia Militar, por ano, em média, cerca de 5 mil animais silvestres são recolhidos no Espírito Santo. Só neste em 2021, entre janeiro e agosto, foram 3.155 mil. 

Segundo o biólogo Gustavo Brito, esse tipo de ação causa desequilíbrio no ecossistema local.

“Cada espécie desenvolve um papel. Quando se retira uma espécie, reduz essa população, esse papel é aquinhoado. Os poucos indivíduos que sobram acabam não dando conta de manter as tais funções no ecossistema”, explica. 

Foto: Reprodução TV Vitória

No Estado, esses animais também podem ser encontrados em uma região em meio de uma área urbana, entre os bairros Jardim Marilândia e Vale Encantado, em Vila Velha. Segundo o biólogo, diversos animais habitam o local.

“Temos algumas espécies de répteis, cobras, jacarés de papo amarelo, algumas espécies de mamíferos como sagui da cara branca, cachorro do mato, mão pelada”, contou,

Em uma área de mata atlântica, em Vila Velha, são encontrados capivara, além de várias espécies de aves. Muitos desses animais são alvo de traficantes.

PF apreende animais no Norte do ES que seriam vendidos por até R$ 3 mil no RJ

Foto: Divulgação / Polícia Federal

Policiais Federais, em conjunto com servidores do Ibama do Espírito Santo e Rio de Janeiro e do ICMBio, deflagraram na  terça-feira (09), uma operação policial para reprimir a ação de uma organização criminosa especializada no tráfico de animais silvestres que atuava no norte capixaba e na baixada fluminense.

Estão sendo cumpridos 13 mandados de busca e apreensão expedidos pela 1ª. Vara Federal Criminal de Colatina, nos municípios de Vila Valério (05), São Gabriel da Palha (02), Nova Venécia (01), Águia Branca (01) e Magé(04), no Rio de Janeiro.

As investigações se iniciaram após ação fiscalizatória realizada pelo IBAMA e ICMBio que resultou na prisão de pessoas que estavam de posse de 8 filhotes de papagaio Chauá (espécie ameaçada de extinção) e de dois de seus ovos, capturados, possivelmente, no interior da Reserva Biológica de Sooretama ou em seu entorno.

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Durante as investigações foram identificadas ao menos outras 8 pessoas que atuam em Vila Valério, São Gabriel da Palha, Nova Venécia e Águia Branca predando ninhos e capturando filhotes de aves de várias espécies.

De acordo com Eugênio Ricas, Superitendente da Polícia Civil do ES, o intermediário repassa os animais para um grande comerciante de animais silvestres ilegalmente capturados na natureza que, a partir do Rio de Janeiro, envia os animais para outros estados do país.

 “O caçador retirava esses animais da natureza, vendia por R$ 100 para um intermediário, e esse intermediário aqui do Espirito Santo vendia esse animal para um terceiro do Rio de Janeiro. Esse sujeito do Rio, revendia para um consumidor final por até R$ 3 mil. Um complexo esquema da organização criminosa”, contou. 

Além das aves, a organização criminosa também comercializa outros animais que tenham valor comercial. As investigações constataram a venda de macacos-prego (também ameaçado de extinção), coleirinhos, corrupiões, corujas e de filhotes de jacaré.

O grupo investigado existe há pelo menos 15 anos. Somente no ano de 2020 foram capturados cerca de 55 (cinquenta e cinco) filhotes de papagaios, o que os investigados consideraram uma temporada muito fraca, pois os números eram bem superiores no passado.

Pode ter animal silvestre como pet?

Cães e gatos são os animais mais comuns criados nas casas dos brasileiros, mas tem muita gente optando por conviver com um bicho diferente. Com passar do tempo a procura por animais silvestres vem se tornando cada vez mais comum.

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Segundo a legislação, eles podem ser adquiridos desde que sejam por meio de criadouros comerciais licenciados pelo Ibama. Esses espaços recebem animais oriundos de fiscalização

De acordo com Eugênio Ricas, Superintendente da Polícia Civil do ES, quem adquire a criação desses animais por meio da forma ilegal pode estar cometendo diversos crimes ambientais.

“Pode estar cometendo crime de maus tratos, crime contra a fauna. Importe dizer, aquele que quer ter um animal silvestre em casa, tem um pet, busque aquelas lojas especializadas com licença do Ibama, onde os animais possuem anilhas”. 

*Com informações do repórter Lucas Henrique Pisa, da TV Vitória/Record TV