Geral

Colchão pode ter salvado a vida de mulher que ficou soterrada após desabamento em Vila Velha

Natália de Oliveira Lamas Viana ficou cerca de três horas debaixo dos escombros da própria casa, em Ilha das Flores, antes de ser resgatada pelos bombeiros

Colchão pode ter salvado a vida de mulher que ficou soterrada após desabamento em Vila Velha
Colchão onde a autônoma dormia a protegeu dos escombros da casa, que desabou nesta madrugada

Após ficar cerca de três horas debaixo dos escombros da própria casa, a autônoma Natália de Oliveira Lamas Viana, de 23 anos, foi socorrida e encaminhada para um hospital de Vitória. Parte da casa onde ela mora, no bairro Ilha das Flores, em Vila Velha, desabou por volta das 3 horas desta sexta-feira (13).

Apesar da gravidade do fato, Natália sofreu apenas ferimentos leves. No momento do desabamento, a cama em que a autônoma dormia virou por cima dela e Natália ficou protegida pelo colchão. Ela conta que esse detalhe foi fundamental para que algo pior não acontecesse.

“Acho que foi a mão de Deus mesmo. Eu estava deitada na cama e, quando caiu, a cama estava por cima de mim e eu estava com a cabeça para o outro lado do que eu estava deitada. Minhas pernas ficaram encolhidas, meu pescoço ficou grudado no peito e virado para o lado e ficou imprensado. Aí eu forcei para cima para empurrar e via que não conseguia. Foi quando eu comecei a cavar e fazer barulho para eles [os bombeiros] verem onde eu estava”, relatou a vítima.

Apesar de ter ficado cerca de três horas embaixo de escombros, Natália sofreu apenas alguns arranhões pelo corpo

Além de Natália, estava na residência, no momento do desabamento, a enteada dela, de 10 anos, que saiu ilesa. As duas dormiam em quartos diferentes. A autônoma conta que, no momento em que esteve soterrada, ficou preocupada com o que poderia ter acontecido com a menina, mas não chegou a entrar em desespero.

“Eu não fiquei desesperada. Eu estava lá embaixo e pensei primeiro na Ana, onde ela estaria. Aí eu ouvi a voz dela perguntando onde eu estava e eu gritei que estava lá embaixo. Aí meu pai chegou e fui batendo na lajota para ele ouvir onde eu estava. Fui cavando com a mão para cima e, por isso, arranhei os braços. E os bombeiros também chegaram muito rápido”, contou.

A autônoma diz estar aliviada por não ter acontecido algo pior com ela e com a enteada. “Foi Deus! Quando eu caí, a primeira coisa que eu falei foi ‘Senhor, me socorre’. Porque é só Ele que pode. Se não fosse Ele eu não estaria aqui hoje”, afirmou.

Interdição

A casa onde ocorreu o desabamento agora está interditada e a família vai se abrigar na residência de parentes. Segundo Natália, o imóvel foi construido há cerca de dez anos, sem o acompanhamento de um engenheiro. “Meu cunhado, que é pedreiro, estava olhando que as vigas não estavam amarradas. Os ferros só estão encaixados um no outro. Provavelmente foi isso”, disse.

Após o desabamento, a Defesa Civil de Vila Velha esteve na casa e realizou uma avaliação no local. “Vimos água de chuva caindo de telhado, caindo pelas calhas, descendo pelo quintal. Enfim, tudo que umedece e lubrifica a terra em cima da rocha, que pode provocar o desabamento”, afirmou o assessor adjunto da Defesa Civil do município, Augusto Bandeira.

De acordo com o assessor, o desabamento não abalou outros imóveis, mas um prédio vizinho foi notificado. “Por segurança, a nossa engenheira notificou a proprietária do imóvel ao lado a contratar um engenheiro para fazer uma verificação mais profunda”, frisou.