Nos últimos anos, questões ligadas a sexualidade têm sido palco de inúmeros debates na sociedade. A demissexualidade é uma delas.
O termo se refere a pessoas que sentem a necessidade de desenvolver uma conexão emocional com alguém antes de sentir atração sexual.
O termo ganhou popularidade em 2022 após famosos, como a cantora Iza e a atriz e apresentadora Giovanna Ewbank, revelarem serem demissexuais.
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Para a maioria das pessoas, a atração sexual é uma resposta imediata à atração física ou visual. Mas, para aqueles que se identificam como demissexuais, essa atração só é possível após a formação de um forte vínculo emocional.
Ficou confuso? Para te ajudar a compreender melhor, o Folha Vitória ouviu uma sexóloga e uma psicóloga que explicou detalhes sobre a demissexualidade.
Sem conexão emocional, sem atração
A terapeuta sexual Virgínia Pelles explica que demissexuais são aquelas pessoas que não manifestam desejo sexual sem que antes haja um envolvimento afetivo e emocional.
“Eu costumo dizer que demissexuais são aquelas pessoas que não conseguem fazer sexo, só conseguem fazer amor. Uma vez que para os demissexuais, a relação só vai acontecer após um tempo e só se houver uma conexão profunda com o parceiro(a)”, diz a terapauta.
Todo mundo não é assim?
Quando uma pessoa se assume demissexual há quem diga que todas as pessoas são assim. Contudo, a terapeuta sexual reforça que muitas pessoas conseguem se relacionar com inúmeros parceiros ao longo da vida sem nenhum vínculo afetivo ou amoroso.
“Há inúmeras pessoas que buscam ter experiências sexuais diferentes com pessoas variadas apenas pelo prazer. Essas pessoas não se encaixam na demissexualidade”, explica.
Entenda a diferença entre demissexualidade e assexualidade
A terapeuta sexual esclarece que as pessoas que se reconhecem como assexuais não sentem vontade de ter relação sexual, já as demissexuais sentem essa vontade. Porém, o ato só é concebido com a condição de existir o vínculo emocional ou afetivo.
Como saber se sou demissexual?
A psicóloga Ariele Fabre garante que o autoquestionamento é uma das principais formas de desenvolver o autoconhecimento. Um dos caminhos para isso é a terapia.
“O autoconhecimento é fundamental para que cada pessoa entenda o que lhe faz bem, os gostos e as preferências. Isso não se refere apenas a relacionamentos, mas a todos os âmbitos da nossa vida. A terapia desempenha um papel muito importante nesse processo, pois na correria do dia a dia não sobra muito tempo para isso. Quando a pessoa dedica um tempo para olhar para si mesma, é possível decifrar inúmeras questões como a sexualidade, por exemplo”, orienta a psicóloga.
A importância de externar os sentimentos
Ariele Fabre também destaca a importância de externar os sentimentos já que há muitas pessoas que não entendem e compreendem questões ligadas a sexualidade.
“A melhor maneira de fazer com que as pessoas ao nosso redor possam entender a nossa forma de agir e pensar é por meio do diálogo e da exposição dos nossos sentimentos. Só assim é possível gerar no outro uma compreensão daquilo que as vezes nem a gente consegue explicar”, finalizou a psicóloga.
*Texto da estagiária Nayra Loureiro sob supervisão da editora Thaiz Blunck.