O empresário capixaba suspeito de aplicar golpes e deixar um prejuízo de mais de R$ 10 milhões foi condenado pela Justiça do Espírito Santo a 22 anos e três meses de prisão em regime fechado.
Felipe Medici Toscano foi preso na Itália em janeiro de 2019. Ele foi extraditado para o Brasil em maio de 2021 e, desde então, cumpria prisão preventiva no Centro de Detenção Provisória de Viana 2.
Na decisão, a juíza da 4ª Vara Criminal de Vitória, Gisele Souza de Oliveira, considerou o réu culpado pelos crimes de estelionato e lavagem de dinheiro. Ele também teve o registro como agente autônomo de investimento cassado. A magistrada decidiu manter o réu preso.
“Revisitando o decreto prisional, em atenção ao artigo 387, parágrafo 1º, do CPB, verifico que os pressupostos e requisitos da prisão preventiva ainda se mantém hígidos, tendo em vista todos os fundamentos já exarados nas decisões de fls. 1364/1370, 1573 e verso e 1810 e verso, sobretudo para a garantia da ordem pública e garantia da aplicação da lei penal, com ênfase para o fato de que o referido réu, após a prática delitiva, fugiu para a Itália no dia 14 de março de 2018, sendo extraditado somente no dia 18 de maio de 2021, o que demonstra que a liberdade do acusado oferece risco concreto à futura aplicação da lei penal”, justificou a decisão.
Além do empresário, a esposa e um comparsa também foram condenados. Alexandre Silva Melo foi condenado a oito anos, nove meses e 15 dias de reclusão. Ele teve a licença de agente autônomo de investimento cassado. Já Isis Avanci Laguardia Medici Toscano foi condenada a três anos de reclusão em regime aberto.
A juíza, no entanto, entendeu que os dois réus não oferecem risco a segurança e podem responder ao processo em liberdade, desde que sejam cumpridas medidas cautelares.
a) proibição de se ausentar do município de residência por prazo superior a 10 (dez) dias, sem comunicação a este Juízo;
b) proibição de ausentar-se do País, devendo ser a presente medida comunicada à Polícia Federal.
A reportagem tentou contato com a defesa dos réus, mas até o momento não houve retorno. Assim que recebermos um posicionamento, o texto será atualizado.
Capixaba foi preso na Itália
O capixaba preso na Itália é apontado como responsável por golpes que deram prejuízos de mais de R$ 10 milhões. A polícia solicitou a prisão preventiva de Felipe Medici Toscano com alerta vermelho da Interpol. Ele foi preso em janeiro de 2019 na Itália.
Felipe dizia agir como agente do mercado financeiro e recebia dinheiro de empresários para realizar as movimentações.
A relação entre Felipe e um dos empresários vítimas do golpe começou em 2014. O empresário, que denunciou o esquema, foi apresentado ao golpista ao buscar formas de investir no exterior.
Na ocasião da prisão, a delegada da Delegacia Especializada em Defraudações e Falsificações (DEFA), Rhaiana Bremenkamp, explicou que Felipe apresentava relatórios falsos das ações, criou sites de bancos e aplicativos falsos em que a vítima poderia ver toda a movimentação. Ele também mandava extratos falsos por e-mail. As vítimas acreditavam estarem acompanhando o dinheiro investido.
Com o dinheiro do golpe, Felipe fraudou documentos, procurações, contratos e a partir daí passou a movimentar o dinheiro da vítima sem que ela percebesse.