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Estudante amarrou boneco em frente a Ufes como forma de protesto

O material seria investigado pela Polícia Civil. Após ser encontrado na manhã desta quarta-feira (25), várias imagens foram divulgadas na internet

Iuri demorou três meses para criar o material Foto: Reprodução Iuri Galindo

Uma trouxa amarrada em um poste, em frente a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), assustou diversas pessoas que passaram na Avenida Fernando Ferrari, em Vitória, na manhã desta quarta-feira (25). O boneco foi colocado pelo estudante de artes plásticas Iuri Galindo com a intenção de protestar contra os linchamentos. 

A imagem do material teve grande repercussão na internet, pois parecia ter uma silhueta humana com várias manchas vermelhas que lembravam sangue. “Os casos de linchamento que aconteceram foram me incomodando e eu queria passar isso para as pessoas. Eu pensava na situação de alguém que passa na rua, e sem motivo, é apontado como criminoso e agredido em seguida por varias pessoas. A vítima não tem para onde correr e nem como se defender. Muitas das vezes não é nem comprovado a acusação”, contou o estudante. 

De acordo com Iuri, ele passou um tempo procurando várias formas de mostrar essa insatisfação. A ideia, segundo ele, era tirar das pessoas a mentalidade de que é necessário fazer justiça com as próprias mãos. Ele contou que se inspirou na ideia do artista plástico Artur Barrio, que espalhou trouxas ensanguentadas em um rio de Belo Horizonte, em 1970, durante a Ditadura Militar. “Achei o trabalho dele muito forte e interessante. Para contextualizar eu resolvi amarrar a trouxa em um poste”, explicou.

Para confeccionar o trabalho Iuri usou tecido, corda e encheu com espuma. Nos locais dos ferimentos ele utilizou um material apropriado que faz parecer um sangue real. Além disso, pedaços de carne de boi também foram usados. Segundo ele, fora dois meses para amadurecer a ideia. O artista afirma que estudou muito para confeccionar a peça. Ao todo, disse o artista, foram três meses de trabalho.

“A reação de algumas pessoas me incomodou e me assustou muito, pois logo que coloquei a trouxa na rua alguns passaram e nem se importaram. Apenas após a chegada da polícia a população fez uma maior movimentação. Eu fiquei preocupado, pois se fosse realmente alguém ferido ou um crime como vemos nos jornais, as pessoas que passam não dariam importância”, relatou. 

O estudante acredita ter conseguido atingir o objetivo, que era de chamar atenção das pessoas e passar a mensagem sobre o perigo de fazer justiça com as próprias mãos. “Foi uma ideia minha, mas conversei com um professor e com amigos para aprimorar. Um amigo meu também me ajudou a levar o trabalho até o local onde deixei. Escondi o material perto do local por volta das 3 horas e coloquei amarrado no poste às 6 horas”, disse. 

Perguntado sobre a possibilidade de receber uma multa, ele afirma que ainda não foi procurado. “O que eu fiz foi uma intervenção artística, então eu não aceitaria uma multa. Se aceitasse estaria alegando que meu trabalho é um lixo que foi colocado em local impróprio”. 

Investigação da polícia

Após o material ser encontrado, ele seria encaminhado para a Polícia Civil, que faria uma investigação. Inicialmente, a Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) disse que tudo não passou de uma brincadeira de estudantes da Ufes e que o pacote deixado no local era um embrulho com lixo. Já a universidade logo descartou essa possibilidade, já que trotes não são realizados nesse período do ano. 

O Departamento de Segurança da Ufes foi acionado para avaliar as imagens das câmeras de videomonitoramento e solucionou o mistério: uma van parou na avenida Fernando Ferrari por volta das 6 horas. Pessoas que estavam no veículo amarraram o embrulho, que tinha formato semelhante ao de um corpo humano, e o enrolaram em um poste. Dentro da sacola foram encontradas vísceras de animais. O material foi recolhido por garis.