O Terceiro Setor, que une ações de empreendedorismo com causas humanitárias e sociais foi tema do evento ConectorES, realizado nesta quarta-feira (28), no Cinemark do Shopping Vitória.
O evento, uma colaboração entre o Instituto Americo Buaiz (IAB) e o Instituto Jutta Batista, discutiu maneiras de dar visibilidade a organizações do Terceiro Setor, principalmente em temas como saúde, educação, inclusão e bem-estar social.
Esta discussão passa por assuntos relevantes à sociedade como um todo, como o acesso à saúde e educação a pessoas de baixa renda e como engajar o setor privado em causas sociais.
Para o presidente do Instituto Americo Buaiz, Americo Buaiz Filho, o ConectorES é uma forma de trazer atenção ao trabalho de organizações que realizam serviços sociais importantes para o Espírito Santo.
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“O Instituto Americo Buaiz tem um propósito claro: dar visibilidade a instituições do Terceiro Setor que já estejam fazendo um trabalho admirável, mas que ainda, eventualmente, não tenham sido conhecidos ou reconhecidos”.
A coordenadora do Instituto, Mariana Buaiz, informa que o evento deve se tornar um encontro anual. E que o intuito da movimentação é criar conexões duradouras e formar pessoas capacitadas para assumir projetos no Estado.
“Este evento, ConectorES, é nossa primeira edição, a gente pretende todo ano trazer pessoas que inspirem o Terceiro Setor, porque nosso público maciçamente é o Terceiro Setor, para fazer essa conexão e formação dessas pessoas, inspirando e projetando um futuro melhor”.
Para a diretora-presidente do Instituto Jutta Batista, Marlene Piazzarollo, o fortalecimento do Terceiro Setor é fundamental para que pessoas de baixa renda possam ter atendimento educacional e de saúde adequados.
De acordo com ela, a questão se torna necessária, uma vez que muitas famílias não têm como arcar com custos do setor privado.
“Com o fortalecimento deste setor é que serviços de saúde e educação chegam a famílias que, por vezes, não recebem atendimento adequado na rede pública e não têm condições de arcar com os custos do setor privado”, disse.
Veja fotos do ConectorES:
O Terceiro Setor também é fonte de renda para muitos profissionais, que encontram recolocações no mercado de trabalho por meio de atividades de instituições sociais em todo o país.
Atualmente, no Brasil, mais de 6 milhões de pessoas trabalham diretamente no Terceiro Setor, o que significa um aumento significativo de trabalhadores formalmente empregados.
De acordo com o jornalista Roberto Ravagnani, um dos palestrantes, atualmente são mais de 800 mil organizações sociais no Brasil, que somam juntas aproximadamente 52 milhões de voluntários. Isso corresponde a cerca de 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
“Hoje, nós somos mais de 800 mil organizações sociais no Brasil, estamos em aproximadamente 52 milhões de voluntários no país. Aproximadamente 2,4% do PIB é movimentado por este setor”, disse.
Acolhimento e instituições sociais
É por meio do trabalho do Terceiro Setor que muitas instituições conseguem sobreviver e oferecer serviços de saúde, educação e inclusão para pessoas com necessidades especiais.
Este esforço inclui o o incentivo do setor privado a Organizações Não-Governamentais (ONGs). E, no Espírito Santo, existem mais de 27.300 delas.
Dentre as ONGs está a Associação dos Amigos dos Autistas do Espírito Santo (Amaes), que atende atualmente mais de mil famílias na região metropolitana.
É o caso da família de Heloísa Moraes, que procurou a associação para cuidados com o filho Gabriel. Ela acabou se tornando voluntária e hoje é tesoureira da Amaes.
“Aqui foi o primeiro lugar que eu vim com o meu filho e onde reconheci o meu filho e ele se reconheceu e foi acolhido, e aqui com o suporte das outras mães, a gente se encontra, se abraça e se acolhe”.
Foi também na Amaes, que a funcionária pública Cintia Maria encontrou tratamento para o filho, que tem autismo. Ali, ela encontrou terapias e projetos que ajudaram no desenvolvimento do garoto.
Ela relata que ao chegar na associação, o filho mal conseguia falar e hoje, após sessões inclusive de musicoterapia, desenvolveu bastante a comunicação.
“Ele melhorou em tudo, quando ele entrou aqui, não falava, falava muito pouco, e com as terapias que teve aqui e com os projetos em que passou aqui, que foi a arteterapia, a musicoterapia, ele desenvolveu a fala”.
Para Cintia, o trabalho do Terceiro Setor é fundamental quando se trata de crianças com autismo, uma vez que muitas famílias não conseguiram arcar com custos de tratamento.
“Se você não trabalha e tem o benefício, o benefício também não consegue arcar com as terapias que você precisa pagar para eles. Se não for uma instituição como a Amaes para te ajudar nisso, não vejo um futuro bom”.
*Com informações do repórter Lucas Pisa, da TV Vitória/Record
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