O segundo dia de invasão da Rússia à Ucrânia começou com ataques e muitas explosões. Os bombardeios aumentaram nas últimas horas, e puderam ser ouvidos em vários pontos da capital ucraniana.
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Ataques continuam também em várias outras cidades ucranianas. Grandes explosões altas foram ouvidas em Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, e a cidade grande mais próxima à fronteira com a Rússia. A prefeitura pediu para a população procurar abrigo.
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Sirene em Kiev é acionada pela 3ª vez no dia
A sirene de emergência de Kiev foi acionada no início desta tarde, no horário local, início da manhã pelo horário de Brasília, pela terceira vez nesta sexta-feira (25).
O alerta significa iminência de bombardeio por parte das tropas russas, que se aproximam da capital ucraniana a cada instante.
A orientação em caso de sirene de emergência é proteger-se em bunkers. O som das bombas se intensifica em Kiev desde o início da madrugada desta sexta.
O Ministério da Defesa da Ucrânia afirmou que as forças russas entraram no distrito de Obolon, a menos de nove quilômetros do centro de Kiev, de acordo com o jornal The New York Times.
Recomendação do Ministério da Defesa
O ministério também recomendou que os moradores se protejam em locais fechados. As autoridades ucranianas dizem que militares russos estão posicionados no distrito residencial de Obolon, perto do Parlamento ucraniano, no centro da cidade.
Em sua conta no Twitter, o ministério do Interior da Ucrânia disse ainda que os moradores devem “preparar coquetéis molotov” para tentar deter os invasores.
As forças russas aproximaram-se de Kiev após avançar rapidamente de três eixos, no Norte, Sul e Leste da Ucrânia. As duas primeiras frentes dirigiam-se à capital no início da ofensiva, segundo autoridades de inteligência ucranianas.
Agências de notícias informam que o ataque começou com helicópteros, pouco antes das 4h locais (23h de Brasília. Sirenes de ataque aéreo soaram sobre a cidade de 3 milhões de habitantes, onde algumas estavam abrigadas em estações de metrô subterrâneas.
Um alto funcionário ucraniano disse que as forças ucranianas defendem a capital em quatro frentes, e estão em menor número. Autoridades ucranianas disseram que um avião russo foi derrubado e colidiu com um prédio em Kiev durante a noite, incendiando-o e ferindo oito pessoas
Ataques continuam também em várias outras cidades ucranianas. Grandes explosões altas foram ouvidas em Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, e a cidade grande mais próxima à fronteira com a Rússia. A prefeitura pediu para a população procurar abrigo.
Temor da população civil
Em um prédio de dez andares de um conjunto habitacional perto do principal aeroporto de Kiev, uma bomba explodiu pouco antes do amanhecer e deixou uma cratera de dois metros. Um policial disse que as pessoas ficaram feridas lá, mas que não foram registradas mortes.
Civis convocados
O Exército da Ucrânia fez uma convocação para todos os civis se alistarem. “Precisamos de todos os recrutas, sem restrições de idade”, disse uma primeira mensagem publicada em uma rede social. A convocação, presumivelmente, vale também para menores de idade, e alcança homens e mulheres. Desde dezembro, todas as mulheres ucranianas “aptas ao serviço militar” entre 18 e 60 anos fazem parte da reserva em tempos de guerra.
Pouco depois, houve uma segunda convocação: “hoje, a Ucrânia precisa de tudo. Todos os procedimentos de adesão são simplificados. Traga apenas seu passaporte e número de identidade”.
O governo encorajou moradores a fazerem coquetéis molotov, enquanto também aconselham outros a procurarem abrigo. “Pedimos aos cidadãos que nos informem sobre os movimentos de tropas, façam coquetéis molotov e neutralizem o inimigo”, afirma um texto.
Queda da capital
Na noite de quinta-feira, 24, funcionários do alto escalão do governo dos Estados Unidos afirmaram que acreditam que Kiev poderia cair rapidamente com o avanço das forças russas. Segundo os setores de inteligência americanos, as forças militares da Rússia, enviadas de Belarus, aproximam-se de Kiev.
Moscou vem afirmando reiteradamente que os ataques miram alvos militares da Ucrânia, o que foi contestado pelo presidente Volodmir Zelenski, que afirma que alvos civis foram atingidos durante os bombardeios. (Com agências internacionais).
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Por que a Rússia atacou a Ucrânia?
A Rússia iniciou nesta quinta-feira (24) um ataque a diversas partes da Ucrânia, com bombardeios contra alvos militares em Kiev, Kharkiv e outras cidades no centro e no leste do país vizinho.
O presidente Vladimir Putin autorizou uma operação militar nos enclaves separatistas do leste do país, segundo o Ministério da Defesa russo.
Em pronunciamento na TV, Putin afirmou que a ação visa desmilitarizar a Ucrânia, mas não ocupá-lo. O presidente russo justificou sua decisão por um pedido de ajuda dos separatistas pró-russos e pela política agressiva da Otan com Moscou.
No pronunciamento, Putin também pediu que os ucranianos “larguem as armas e voltem para casa” e que os soldados que desistirem não serão atingidos. O presidente afirmou que se houver derramamento de sangue, será responsabilidade do governo ucraniano.
Putin também alertou que aqueles que “tentam interferir devem saber que a resposta da Rússia será imediata e levará a consequências que nunca conheceram”. “Tenho certeza de que os soldados e oficiais da Rússia cumprirão seu dever com coragem (…) A segurança do país está garantida”, disse.
A alegação do presidente russo, de que o ataque seria necessário para proteger os civis no leste da Ucrânia, é considerada falsa pelos Estados Unidos, que já previam que ela seria usada como pretexto.
Em entrevista ao Estadão, o historiador George Liber avaliou que, após a saída caótica dos EUA do Afeganistão, Vladimir Putin provavelmente acreditou ter uma janela de oportunidade para insistir em uma antiga demanda dele e da Rússia: a de consolidar a Ucrânia sob a esfera de influência russa.
“A retirada dos EUA de Cabul provavelmente inspirou Putin. Eu acho que as explicações do governo Biden de por que o Taleban assumiu tão rapidamente não convenceram. O presidente russo viu isso e parece ter acreditado que este era um bom momento para pressionar os EUA e a Otan sobre a Ucrânia”, afirmou.
“Putin tem um interesse de longa data em trazer a Ucrânia de volta para a esfera de influência russa. Ele imaginou que o Afeganistão enfraqueceu tanto o governo Biden que quaisquer declarações feitas por ele sobre a Ucrânia ou a Otan não seriam apoiadas pelos outros membros da aliança militar”, completou.
Com informações do Estadão.
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