Durante todo o período do BBB, algumas situações no jogo da discórdia entre Laís e Arthur geraram muitos comentários entre os internautas. Quem se sentiu desconfortável com as cenas usou termos como gaslighting e manterrupting para descrever o cenário do debate entre os dois.
Este tema segue, até hoje, em alta nas pesquisas em buscadores como o Google. Muita gente se identificou com os significados e com o que eles representam.
Mas você já sabe o que cada uma das palavras significa? Fique, agora, por dentro do que é gaslighting e manterrupting, e aprenda a identificá-los – essas são questões sérias de machismo, enfrentadas por muitas mulheres, todos os dias.
Gaslighting
Se quando você, mulher, está em alguma discussão, e ouve comumente “você está exagerando” ou “está ficando louca”, já pode ligar o sinal de alerta. Esse é um tipo de violência psicológica sutil que os homens praticam, e que dificilmente conseguimos identificar de primeira.
Esta situação é chamada de gaslighting – o termo ainda não tem tradução para o português. Neste caso, o homem abusador distorce a realidade e omite informações, fazendo com que a vítima duvide de sua memória, de suas percepções e até mesmo da sua sanidade mental, utilizando esse tipo de comentários.
O gaslighting faz parte de um contexto de criação de situações em que a mulher sinta insegurança e desestabilização, em benefício do abusador. Dessa forma, ele fortalece a dependência emocional feminina e perpetua o vínculo abusivo. E esta forma de violência pode ir além, desencadeando distúrbios como ansiedade, depressão e baixa autoestima.
Mulheres que se encontram nesta situação precisam de apoio de familiares, amigos e, principalmente, de acompanhamento com um psicólogo. Com esta rede, é possível reunir forças para se afastar e romper o relacionamento abusivo.
Manterrupting
Quantas vezes você tentou explicar um ponto de vista, ou contar uma história e, antes de terminar, foi interrompida por um homem? Esta situação é conhecida como manterrupting.
A palavra vem do inglês, e é a junção de man, “homem”, e interrupting, “interromper”.
Não por coincidência, o termo foi popularizado pela escritora Rebecca Solnit. Ela descreve, na publicação “Os homens explicam tudo para mim”, o caso de um homem que tentava explicar para ela sobre o livro que a própria escreveu.
Essa atitude, contudo, não precisa ser tão escancarada. Pode acontecer em um churrasco, no trabalho, entre amigos ou até em família.
O fenômeno vem da crença de que homens valem socialmente mais do que as mulheres, e também que suas vozes e suas opiniões têm mais peso. Em um artigo da Harvard Business Review, a pesquisadora Francesca Gino explica que a sociedade tende, em uma cultura machista milenar, a ver homens como líderes e mulheres como subordinadas.
Assim, hoje em dia, o homem replica, mesmo que inconscientemente, as atitudes de pressupor que entende mais sobre algo do que a mulher, ou de que sua voz é mais importante ou mais interessante de ser ouvida.
Ao ser constantemente interrompida, é preciso se posicionar. Para quem for alertado de agir com manterrupting, é fundamental reconhecer e se desculpar. E, principalmente, se policiar para que isso não se repita.
Como se livrar de comportamentos machistas
Homens e mulheres reproduzem comportamentos machistas. Esta é uma consciência que precisa ser desenvolvida e, a partir disso, realizar um esforço de observação de pensamentos e comportamentos.
Veja dicas de como se livrar de comportamentos machistas:
– Consumir conteúdos, como livros, séries e filmes, com representações de mulheres e outros grupos tidos como minorias.
– Incluir em rodas de conversa e ambientes de trabalho mulheres e outras minorias.
– Aprofundar relacionamento com pessoas frequentemente estereotipadas, como LGBTQ+.
– Ouvir e respeitar a todos.
– Reconhecer que temos pensamentos e atitudes machistas.
– Seguir perfis no Instagram com conteúdos feministas.
– Prestar sempre atenção e nunca repetir “piadas” machistas.
– Repreenda amigos que compartilham conteúdos que expõem outras mulheres em grupos de WhatsApp.
– Elimine o verbo “ajudar” quando se referir a tarefas domésticas.
– Não permita que a sua insegurança te transforme em um companheiro opressor.