É com muito amor e gratidão que Áurea Medeiros, de 74 anos, recorda o que viveu na Associação Feminina de Educação e Combate ao Câncer (Afecc) nos últimos 20 anos. Os laços com a instituição, que completa 70 anos nesta quinta-feira (28), começaram a ser criados no início da década de 2000.
Áurea lembra que conheceu o voluntariado da associação quando o marido estava em tratamento de um câncer. Em um momento difícil e de muita tristeza, ela foi amparada por uma voluntária. O gesto simples a inspirou a ajudar outras pessoas e a superar a perda do marido.
Com atenção, carinho e acolhimento, diversos voluntários da instituição ajudam a tornar o tratamento dos pacientes com câncer mais leves e a melhorar o bem-estar de quem enfrenta a doença. Confira a entrevista:
Como você conheceu a Afecc?
Estou na Afecc há 21 anos. Conheci quando meu marido teve um câncer. Em um momento de muita tristeza, eu fui atendida por uma voluntária que me ofereceu um copo de suco. Aquele gesto me marcou. Depois que meu marido faleceu, eu quis ajudar outras pessoas e me voluntariei.
Qual trabalho você desenvolve atualmente?
Hoje eu ajudo a servir lanches para os pacientes em tratamento na ala de quimioterapia e para os acompanhantes. Também faço parte do coral. Não somos coralistas, somos voluntários que cantam. A gente recebe muito carinho dos pacientes, dos acompanhantes. É muito gratificante.
O que mais lhe marcou no trabalho desenvolvido na Afecc?
Algumas pessoas marcaram a gente. Lembro da voluntária que me acolheu, da dona Helena, nossa ex-presidente, a diretoria. São pessoas muito carinhosas e sempre preocupadas com o outro. Somos muito gratos. A Afecc é um grupo muito unido. Nós, voluntários e voluntárias, gostamos de participar de tudo.
Na associação, temos a oportunidade de ver pacientes com diferentes histórias. Já teve pessoas que me procuraram muito tristes, precisando de ajuda. Teve uma mulher, ela era do interior do Estado, ela foi abandonada pelo marido quando ele descobriu que ela estava com câncer. Ela ficou em Vitória sozinha durante o tratamento. Nós procuramos dar apoio e assistência. Temos pessoas que orientam as pacientes a buscar os direitos.
Qual o sentimento que fica ao lembrar de todas as experiências que teve na associação?
Eu também tive câncer. Eu fiz meu tratamento no Hospital Santa Rita, continuei meu voluntariado, e tenho muita gratidão. Eu estou curada e sigo firme no meu trabalho, firme na missão de ajudar as pessoas.
Eu participo de congressos, no fim do ano, o coral se apresenta para os pacientes. O sorriso dos pacientes de receber um presente e de ver gente cantando é impagável.
Afecc prestou mais de 200 mil atendimentos em 2021
Em 1952, um grupo de mulheres criou uma associação de ajuda aos pacientes com câncer. Os projetos e ações de cunho social ganharam reforço ao longo dos anos. Cerca de 20 anos após a criação do grupo, a Afecc inaugurou o próprio hospital, o Santa Rita de Cássia, em Vitória.
Atualmente, mais de 70% do atendimento na unidade hospitalar é destinada aos pacientes do SUS em tratamento de câncer. O hospital também atende pacientes de convênio e particular nas mais diversas especialidades médicas. Em 2021, foram realizados 634.099 atendimentos no Santa Rita, sendo 504.165 exclusivamente para pacientes do SUS.
No que diz respeito ao seu compromisso social, a Afecc prestou 197.636 atendimentos em 2021 por meio de projetos sociais, disponibilizando 1.459.521 produtos e serviços.
A presidente da Afecc-Hospital Santa Rita, Marilucia Dalla, lembra que as ações da associação buscam reintegrar os pacientes na sociedade e a promover o acolhimento e o apoio emocional para quem está em tratamento e para os familiares.
“São projetos que oferecem serviços de reintegração do paciente na comunidade, atividades de reabilitação, bem como alimentação proteica, medicamentos e vale-transporte para os que já tiveram alta hospitalar e precisam de acompanhamento médico. Com esses incentivos a Afecc consegue evitar o abandono do tratamento”, acrescentou.
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