Um estudo divulgado pela organização não-governamental ambiental, em âmbito internacional, Greenpeace, alertou para a urgência de reduzir a produção e o consumo de plástico no planeta.
De acordo com os dados coletados, a produção mundial de plástico deve triplicar até 2060. Em Vitória, segundo a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis, aproximadamente sete toneladas de plástico são recicladas mensalmente.
Na região metropolitana, o número aproximado é de 55 toneladas. Apesar disso, cerca de 20% dos plásticos que chegam às associações são descartados, pois não estão em condições de ser utilizados novamente.
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Para Agnaldo Silva Martins, professor e coordenador do curso de Oceanografia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), o relatório mostra um fato muito importante da reciclagem.
“Embora ela seja importante, ela sozinha não resolve o problema da poluição por plástico e ainda pode trazer outros problemas: no processo de reciclagem pode ser liberados alguns componentes químicos que também são tóxicos”, disse.
O coordenador contou que existem caminhos capazes de desestimular a produção de mais plástico e, consequentemente, proteger o meio ambiente. De acordo com Martins, um dos problemas mais estudados e comprovado cientificamente é o problema que o plástico causa na fauna marinha.
“Acaba chegando uma grande quantidade de plástico no mar e muitos animais marinhos acabam consumindo, confundindo com algum tipo de alimento, e isso acaba causando a morte desses animais”, contou.
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“Fora isso existem muitas pesquisas sendo feitas de outros efeitos nocivos do plástico inclusive para nós humanos, porque alguns deles são utilizados componentes químicos tóxicos para a sua fabricação e a gente mesmo acaba consumindo como microplástico, partículas muito pequenas, e pode fazer mal para a nossa saúde”, complementou o professor.
Um exemplo, segundo o especialista, seria a criação de leis que poderiam ser implementadas no Brasil, assim como já são em outros países, que ressaltam o viés do mal que o plástico pode acarretar à saúde.
“Não resta muito alternativa a sociedade se conscientizar e fazer uma pressão aos seus representantes nas esferas políticas para que se criem leis que impeçam a produção de alguns tipos de plásticos”, disse.
Segundo apuração da TV Vitória, que esteve em uma empresa na Capital em que não é permitido o uso do copo plástico, todos os colaboradores recebem uma garrafinha assim que começam a atuar no local.
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A unidade conta com 1.600 funcionários e não é permitido que sejam encontrados copos descartáveis, sequer perto do bebedouro. A prática, segundo Rafael Schaeffer Dos Santos, coordenador de Desenvolvimento Humano Organizacional, já é adotada há 3 anos.
“A gente evita por dia uma média de três copos utilizados por essas pessoas, porque já no primeiro dia, a gente já vem com o processo de reeducação ensinando o uso da garrafa que disponibilizamos para todo colaborador no primeiro dia”, explicou.
Andressa Pinheiro Martins, recrutadora da empresa, já está tão acostumada a usar a garrafinha, que já implementou uma rotina mais sustentável até fora do local. A colaboradora afirmou que sempre está com uma garrafinha por perto e que evita usar copinhos plásticos.
“Principalmente para nós que falamos muito, utilizamos muito a voz, então, sempre ali ao nosso lado ter uma garrafinha para hidratar, pra melhorar a voz e contribuir bastante para evitar de ficar se deslocando toda hora com o copo, porque a gente sabe também que pode prejudicar no nosso dia a dia, esbarrar ali a mão”, contou.
À reportagem, ela também comentou que toma essa medida em outros lugares para incentivar que outros façam o mesmo.
*Com informações do repórter Paulo Rogério, da TV Vitória/RecordTV