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Intestino exposto: um mês após ser ferido, jovem segue internado sem previsão de alta

Caso aconteceu no dia 16 de janeiro e ainda é um mistério. Ele continua sendo investigado pela Polícia Civil e ainda não há previsão de conclusão do inquérito

Foto: Reprodução TV Vitória
Imagens de segurança mostram o rapaz sendo socorrido e levado para o hospital

Um mês após ter a barriga cortada e uma parte do intestino arrancada enquanto participava de um luau na praia do Ermitão, em Guarapari, o estudante universitário de 20 anos segue internado em um hospital particular, sem previsão de alta. 

A informação é do advogado da família do rapaz, Lécio Machado, que não deu mais detalhes, a pedido dos familiares, mas disse que o jovem está se recuperando bem.

O caso aconteceu na madrugada do dia 16 de janeiro e ainda é um mistério. Ele continua sendo investigado pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Guarapari e ainda não há uma previsão de quando o inquérito será concluído.

A suposta namorada do universitário, que estava com ele no dia dos fatos, já foi ouvida pela polícia e passou por exames de corpo de delito, no Departamento Médico Legal (DML) de Vitória, no início do mês. Já o rapaz dará seu depoimento assim que tiver alta do hospital. Ambos são tratados como vítimas no inquérito.

A história ficou conhecida em todo o país após ganhar enorme repercussão nas redes sociais, com a divulgação de uma série de especulações e até do vazamento de imagens da cirurgia à qual o jovem teria sido submetido.

O advogado do casal contou que os jovens foram até a praia para fazerem um luau. Disse ainda que eles levaram uma garrafa de vinho e teriam feito uso de droga. Em entrevista por telefone à equipe da Record TV, o universitário admitiu ter usado LSD, mas afirma ter se arrependido de ter consumido a droga.

“Eu penso que foram dois grandes erros. Ter entrado no Morro da Pescaria, pois é um lugar deserto, com uma trilha de mais de 800 metros, um lugar muito isolado. E, para piorar, teve também o uso de LSD, uma coisa que deixou a gente totalmente vulnerável”, contou, na ocasião. 

Câmeras registraram momento em que casal chegou à praia em Guarapari

O rapaz tinha acabado de ganhar uma bolsa de estudos e saiu para comemorar e se despedir da namorada, já que viajaria para os Estados Unidos. Os dois jovens ficaram cerca de 7 horas no Parque Morro da Pescaria, como mostram imagens de videomonitoramento, obtidas pela equipe de jornalismo da TV Vitória/Record TV.

O relógio da câmera de segurança marcava 21h01, do dia 15 de janeiro, quando o casal aparece caminhando pela lateral da Praia do Morro, que dá acesso ao parque.

O rapaz e namorada caminham em direção às pedras que dão acesso a uma trilha do parque. A entrada é alternativa e fica fora do portão principal, que estava fechado.

Nas imagens, é possível ver que o rapaz está com uma lanterna e carrega uma mochila nas costas. A jovem segue logo atrás dele.

Cerca de 7 horas depois, a jovem aparece nas imagens pedindo ajuda ao vigia do parque, que não aparece no vídeo devido ao ângulo da câmera. Segundo fontes ouvidas pela reportagem da TV Vitória/Record TV, 10 minutos depois do pedido de socorro, o vigia ligou para a central do parque e informou o ocorrido.

Às 4h26, a menina aparece ao lado do pai. Eles aparentam estar desesperados. O homem fala com alguém ao telefone. Às 4h42, a menina aparece nas imagens sentada em um banco. Ela usa o telefone para ligar para alguém.

Às 5h16, os socorristas do Samu e os bombeiros chegam ao local. O rapaz, que já estava com o corte na barriga e sem parte do intestino, é socorrido. Por volta das 6h, ele é levado de maca para a ambulância.

As imagens são importantes para ajudar a polícia na investigação do caso.

Rapaz diz que só recuperou a memória após deixar a UTI

Foto: Reprodução/Redes Sociais
Um mês após o ataque, o rapaz segue se recuperando no hospital e ainda não há previsão de alta

Em entrevista à Record TV, o universitário disse que só conseguiu recuperar as lembranças do dia do ocorrido após deixar a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde ficou por mais de 15 dias. Ele diz que se recorda de ter sido golpeado várias vezes na cabeça.

“Eu só lembro de estar correndo, não lembro da imagem de estar correndo, mas sim da sensação. Logo depois, fui golpeado várias vezes na cabeça. Depois disso, não lembro de mais de nada. Acredito que fui nocauteado”, relatou. 

O prontuário médico do hospital onde o rapaz está internado relata que ele foi diagnosticado com ferimento corto-contuso extenso, feito com uma garrafa de vidro e também relata uso de LSD e perda de consciência.

Foto: Reprodução TV Vitória
Pedaço do intestino da vítima foi encontrado nas areias da Praia do Ermitão, em Guarapari

Também em entrevista à Record TV, o rapaz informou que teve o celular levado pelos agressores e que a namorada conseguiu encontrar o aparelho dela jogado na areia. Ela fez contato com a família e encontrou com o pai no meio do caminho da trilha. Eles, então, esperaram pela chegada do resgate.

De acordo com o universitário, ele passou por um procedimento em que conectaram as partes do intestino com o reto. “Perdi uma parte do intestino, mas consigo viver com o que restou do trato intestinal”.

Ele disse que a namorada também sofreu lesões na cabeça e nos braços, e que também não se lembra com detalhes da agressão. “O estado dela era bem melhor que o meu. Eu lembro que me ajudou a chamar o socorro”, afirmou.

Na época, o rapaz disse que aceitou falar com a reportagem para esclarecer as versões que circularam nas redes sociais. “Fico feliz de estar falando, vi o que estavam divulgando. Tinha várias histórias. Fiquei muito abalado.”

Vítima fez desabafo nas redes sociais

A vítima chegou a desabafar em um grupo que mantém com colegas em uma rede social. O texto, que circulou nas redes sociais, teve a autoria confirmada pelo advogado que representa as famílias das vítimas.

“Eu ia deixar isso passar sem falar nada, mas a situação ficou insustentável. É óbvio que todas essas histórias são mentira. O que houve foi uma tentativa de latrocínio. Machucaram a menina que estava comigo e me feriram no rosto e cortaram meu abdômen, além disso, levaram meu celular e o dinheiro que ela carregava”, escreveu.

Foto: Reprodução / Twitter

Por fim, o jovem pede para que as pessoas não o incomodem porque ele está se recuperando e os boatos espalhados sobre o crime o estão fazendo mal.

A polícia ainda não tem informações sobre a autoria ou o objeto usado para fazer o corte na barriga do jovem. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Guarapari.

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