Geral

Isolamento social: o que leva algumas pessoas a ficar em casa e outras não?

Especialistas e autoridades afirmam que o ideal é que a taxa de isolamento seja de pelo menos 55%, mas no Espírito Santo esse índice é de apenas 48%

Foto: TV Vitória

Com uma média de cerca de 48%, a taxa de isolamento social no Espírito Santo está longe da ideal neste período de pandemia do novo coronavírus. Segundo especialistas e autoridades, o ideal seria chegar a pelo menos 55%. 

“Nesse momento, é importante que as pessoas entendam que é para elas se deslocarem só quando houver a máxima necessidade. Esse é um momento ainda de muita precaução. A gente ainda espera muitas mortes até meados de julho. Então vamos, cada um de nós, contribuir, fazendo a sua parte”, destacou a doutora em epidemiologia, Ethel Maciel.

“O isolamento da sociedade, o afastamento social, é a única ferramenta que nós temos para interromper a transmissão da doença e fazer os números caírem. Os números ainda estão subindo entre nós, aqui no Espírito Santo. Portanto, a nossa taxa de isolamento social não é suficiente, neste momento, para interromper essa doença”, afirmou o subsecretário de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin.

Na Grande Vitória, o menor índice de isolamento é registrado em Cariacica, com 40%. Já no interior, Colatina, na região noroeste do Estado, é o município com menor índice, com 38%.

“Nós temos que rever realmente esses dias alternados. Da maneira como está, não está funcionando em Colatina. Mas como o decreto é do governo do Estado, nós estamos tentando, mas a fiscalização é insuficiente, infelizmente”, destacou o prefeito de Colatina, Sérgio Meneguelli.

Mas afinal, o que leva algumas pessoas a ficar em casa e outras não? “Você tem um grupo que hoje pode se isolar, que estão afastados, mas recebendo salário, os aposentados. Então você tem um grupo grande que pode contribuir com esse isolamento. E você tem um outro grupo que são pessoas que não têm um trabalho formal, que têm, neste momento, mais dificuldade de receber o seu dinheiro, o seu sustento. Então tem esses dois grupos, neste momento, ao mesmo tempo, e aquelas pessoas que foram convocadas ao trabalho, que não podem fazer o isolamento neste momento”, explicou Ethel Maciel.

O autônomo Luiz Américo Linhares diz que até tenta, mas não consegue ficar em casa. Já a doméstica Áurea Gomes afirma que sai de casa, mas só quando necessário. “Buscar remédio no CRE para o meu filho, fui buscar uma cesta básica que deram na escola e agora fui comprar pão”, contou.

Elza Oliveira da Costa é funcionária de um restaurante e afirma que, durante a pandemia, não parou de trabalhar. Por isso, na família dela, ficou decidido que ela é a única que resolve tudo fora de casa, enquanto permanecer a quarentena.

“Tem muita gente saindo sem necessidade, muita aglomeração nas lotéricas, não dão o espaço necessário. Dentro do supermercado também, ninguém respeita o espaço de ninguém”, diz.

Já o estudante de arquitetura Daniel Veiga conta que não sai de casa há quase quatro meses. Ele e o irmão dividem um computador para assistir às aulas online e a mãe é a responsável por fazer as compras essenciais.

“O que tem sido mais desafiador é controlar o psicológico. Porque é muito complicado ficar dentro de casa, ter que abrir mão de muita coisa. A gente sempre teve uma rotina muito ativa, seja em escola, seja no social”, relata.

O estudante afirma que o sacrifício não é só por ele, mas até por desconhecidos. “Eu penso que tudo o que eu fizer vai ter efeito. Então, se eu ficar em casa, eu sei que, além de me proteger, eu vou proteger a minha família e vou proteger até as pessoas que poderiam ter contato comigo”, ressalta.

Com informações da jornalista Andressa Missio, da TV Vitória/Record TV