O Espírito Santo recebeu um total de 191.340 doses de vacinas contra a covid-19 na madrugada desta terça-feira (18). São 99.600 doses da Coronavac (Sinovac/Butantan), 77.700 doses da Astrazenec (Oxford/Fiocruz) e 14.040 doses da Pfizer/BioNTech.
De acordo com a Secretaria de Saúde (Sesa), as doses da Coronavac serão destinadas exclusivamente para aplicação de segundas doses dos grupos já vacinados com o imunizante.
As doses da Astrazeneca serão utilizadas para dar continuidade à vacinação da primeira dose de pessoas com comorbidades e de trabalhadores da educação, além do envio de segundas doses para público idoso de 65 a 69 anos.
Já os imunizantes da Pfizer serão enviados aos 14 municípios polo, escolhidos pela Secretaria de Saúde para armazenar as vacina, para aplicação da primeira dose de gestantes, puérperas e também pessoas com comorbidades
A distribuição aos municípios da Região Metropolitana e para as regionais de saúde Norte, Sul e Central acontecerá ao longo desta terça.
Fila
Segundo informações do governador Renato Casagrande, a intenção é reduzir a fila de espera pela segunda dose da Coronavac e dar continuidade à imunização da população capixaba.
No Estado, 152.787 pessoas estão na fila à espera da segunda dose da coronavac. Na última semana, o Instituto Butantan anunciou a paralisação da produção da vacina no Brasil por causa da fata de insumos.
Coronavac
Mesmo com a chegada deste novo lote e ainda de uma reserva técnica da Sesa, de 1.230 doses da Coronavac, a quantidade não é suficiente para zerar a fila dos que aguardam a segunda aplicação do imunizante, ou seja, os que já tomaram a primeira dose há pelo menos 28 dias.
Na última sexta-feira (14), a Sesa informou que a quantidade de pessoas nessa situação, no Espírito Santo, havia aumentado para 152.787. Anteriormente, a Secretaria da Saúde havia informado que a fila de capixabas à espera da segunda dose da Coronavac era de 87.749.
O motivo dessa diferença, segundo a Sesa, é que “novos esquemas de vacinação completaram o intervalo recomendado de 4 semanas” e, por isso, o número de pessoas subiu. Ou seja, a secretaria não havia colocado na primeira fila, de mais de 87 mil pessoas, todas que tinham tomado a primeira dose. À medida em que o prazo foi vencendo é que mais pessoas foram entrando na contagem.
Uma dessas pessoas que aguardam ansiosamente para receber a segunda dose da Coronavac é a dona de casa Maria José Finotti da Silva, moradora de Vila Velha. Ela conta que, sempre que fica sabendo sobre a chegada de novas vacinas, avisa ao filho para que ele tente fazer o agendamento. A segunda aplicação da Coronavac na dona de casa já está atrasada em três semanas.
“Não estou conseguindo, já tentei várias vezes. Quando eu ouço na reportagem que chegou a vacina, já peço para o meu filho tentar agendar para mim, mas nunca dá para agendar”, lamenta.
Além de ser diabética, Maria José perdeu um irmão para a covid-19 há cinco meses. A dona de casa conta que passou a usar até calmantes. “Eu não durmo. Passo a noite, vou dormir de manhã. Quem dera que eu conseguisse tomar a vacina, que aí eu ficaria mais tranquila”.
A falta da Coronavac não é um problema só da Grande Vitória. A representante comercial Luzia de Cássia Soares Machado mora em Cachoeiro de Itapemirim, no sul do estado, e diz que também não consegue tomar a segunda dose da vacina.
Ela conta que já foi ao posto de saúde do bairro Vila Rica, onde mora, e, mais uma vez, não conseguiu fazer o agendamento. Mas continuou tentando. “Liguei para mais dez unidades e todas com o mesmo relato: umas receberam 18 doses, outras nenhuma”, disse.
A data da segunda dose está marcada, no cartão de vacinação dela, para o dia 25 de abril. Uma promessa que não virou realidade. “É uma falta de organização. É um direito nosso a vacina, e ficar nessa peregrinação é realmente uma falta de consideração no momento em que estamos vivendo, de medo, restrições”, afirmou.
A expectativa de Luzia é que a chegada das novas doses coloque fim na apreensão de milhares de capixabas. “Assim como eu, muitos estão indignados. Todas as pessoas que eu conversei, no momento em que estive no posto, a gente vê realmente as pessoas arrasadas. Cria expectativa em cima de uma coisa que vem nos dar mais conforto e menos medo. Isso tudo a gente está vivendo e a vacina é o único meio que nos dá essa garantia”, frisou.