O contrabando continua respondendo pela maior parte dos cigarros consumidos no Espírito Santo: 66% de todos os cigarros que circulam no estado são contrabandeados do Paraguai. O montante deve movimentar cerca de R$ 289 milhões apenas neste ano.
Os dados são de uma pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, que apontam que esses números representam um recorde histórico da participação do cigarro ilegal no mercado capixaba.
O fenômeno pode ser atribuído a dois fatores: aumento no volume de apreensões e o preço médio do cigarro ilegal muito baixo. Segundo o estudo, o cigarro ilegal no estado tem o preço médio de R$ 3,58, enquanto o preço mínimo estabelecido pelo governo para o cigarro legal no Brasil é de R$ 5,00.
Para o presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO), Edson Vismona, os dados do Ibope devem ser vistos com bastante atenção, e mostram como o fator financeiro impacta no crescimento do contrabando.
“É fundamental reduzir a principal vantagem dos contrabandistas nessa guerra contra o contrabando: a diferença de preços entre os cigarros legais e aqueles trazidos ilegalmente do Paraguai. O atual sistema tributário penaliza principalmente os consumidores das classes C, D e E pois o imposto que incide sobre os produtos premium é exatamente o mesmo dos produtos populares” afirma Vismona.
A importância das ações de repressão e apreensão no enfrentamento do contrabando pode ser vista pelos dados recentes da Receita Federal. Entre janeiro e junho deste ano, foram apreendidos 9,8 milhões de cigarros – 10.742% a mais do que no mesmo período em 2018.
O cigarro ainda é o principal produto apreendido no Espírito Santo (93%). Ao todo, foram realizadas 497 mil apreensões entre janeiro e junho deste ano. Vestuário (4,7%) e relógios (0,28%) seguem na segunda e terceira posição, respectivamente.
Entre os municípios mais afetados pelo contrabando no Espírito Santo, estão a capital capixaba, Rio Bananal, Serra, Cariacica, Vila Velha e Guarapari.
“Esta é uma luta muito dura e que deve envolver a coordenação de esforços de autoridades governamentais, forças policiais e de repressão, consumidores, indústria e, claro, das entidades que lutam para a redução do tabagismo no país. Somente desta forma vamos conseguir combater a concorrência desleal e promover uma melhoria do ambiente de negócios no País com melhoria de renda, emprego, saúde pública e segurança para todos os brasileiros” acredita Edson Vismona.
Brasil
O Ibope também apontou crescimento no mercado ilegal de cigarros pelo sexto ano consecutivo: 57% de todos os cigarros consumidos no país, em 2019, foram ilegais. O número representa um crescimento de 3 pontos percentuais em relação à pesquisa de 2018.
Do total de cigarros ilegais comercializados do Brasil, 49% foram contrabandeados (principalmente do Paraguai) e 8% foram produzidos por fabricantes nacionais que operam de forma irregular. Com isso, 63,4 bilhões de cigarros ilegais inundaram as cidades brasileiras.
Das dez marcas de cigarro mais vendidas no país, quatro são contrabandeadas. Na liderança do ranking, está a paraguaia Eight, que domina 16% de todas as vendas de cigarros. A soma do percentual de participação de mercado das quatro marcas paraguaias mais vendidas no Brasil é o mesmo das seis marcas brasileiras legais mais vendidas.
A pesquisa do Ibope é realizada desde 2014, quando o mercado ilegal no país somava 40% de todos os cigarros comercializados. O estudo tem abrangência nacional e, em 2019, foi realizado entre janeiro e abril.
Ao todo, foram realizadas entrevistas presenciais com 8.428 fumantes com idades de 18 a 64 anos, residentes em municípios com 20 mil habitantes ou mais. O segmento pesquisado representa 76% da população brasileira de 18 a 64 anos.
“A amostra utilizada pela pesquisa é bastante robusta, garantindo representatividade nacional em municípios de diferentes tamanhos de população e diferentes perfis sociodemográficos, permitindo análises segmentadas dos resultados”, explica Márcia Cavallari, CEO do Ibope Inteligência.
“São realizadas entrevistas presenciais com fumantes e recolhimento das embalagens. Apenas para efeito de comparação, a amostra utilizada para estimar o mercado ilícito de cigarros é 2,8 vezes maior do que as amostras das pesquisas eleitoras que realizamos”, completa.