A capixaba Margareth Dalcolmo, médica pneumologista do Centro de Referência Professor Helio Fraga, foi umas das primeiras a receber a dose da vacina de Oxford/AstraZeneca no final da tarde deste sábado (23). Margareth foi escolhida por estar na linha de frente do Centro Hospitalar Covid-19 e de pesquisas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
O Espírito Santo irá receber 35.500 doses da vacina de Oxford/AstraZeneca na manhã deste domingo (24). O carregamento deve chegar por volta de 9h40 em um voo da companhia aérea Latam. De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), os imunizantes serão encaminhados à Central Estadual de Rede de Frio, e começarão a ser distribuídos às Regionais e municípios a partir de segunda-feira (25).
Essas doses serão utilizadas para contemplar mais 27% dos trabalhadores da saúde que estão na linha de frente do combate à Covid-19. São cerca de 33.858 profissionais da população-alvo da Fase 1 da Campanha de Vacinação contra a Covid-19 no Estado. Na última quarta-feira (20) o Ministério da Saúde atualizou a população total de trabalhadores da saúde que deverão ser vacinados, no ES esse público representa 124.416 pessoas.
Desabafo
Um desabafo feito pela médica capixaba, durante a entrega do Prêmio São Sebastião da Cultura, no Rio de Janeiro, viralizou nas redes sociais. Em seu discurso durante o evento, realizado na noite da última terça-feira (19), a pneumologista não poupou críticas à inabilidade diplomática do governo federal em obter insumos para a produção de mais doses da vacina contra o novo coronavírus.
Com a voz embargada, Margareth Dalcolmo disse que havia acabado de receber a notícia de que o Brasil não receberia vacinas da Índia e da China, o que impactaria no cronograma de imunização do país. “O que pode justificar, neste momento, que o Brasil não tenha as vacinas disponíveis para sua população? Isso é absolutamente injustificável. Não há nada, nenhuma explicação, que possa justificar isso que acabamos de saber”, protestou.
“Depois de termos feito um acordo de cooperação (para a produção da vacina AstraZeneca) e estabelecido, ponto a ponto, desde agosto do ano passado, que uma instituição pública como a Fundação Oswaldo Cruz tenha a sua linha de produção absolutamente pronta, toda a IFA, o insumo farmacêutico necessário, pronto e pago para chegar ao Brasil e que as missões diplomáticas tenham fracassado até esse ponto”, completou a pesquisadora.
Cerimônia
Durante a cerimônia, a presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Nísia Trindade Lima, afirmou que a vacina contra a Covid-19 que está sendo produzida na instituição “em breve poderá ser totalmente nacionalizada”, ou seja, não dependerá mais da aprovação de países fornecedores para serem fornecidas à população brasileira.
Neste sábado, saíram da sede da Fiocruz, no Rio, 2 milhões de doses da vacina desenvolvida pelo laboratório Astrazeneca e pela Universidade de Oxford, parceiros da fundação na produção da imunização brasileira. Os caminhões com as doses deixaram a sede da fundação em direção ao departamento de logística do Ministério da Saúde para que sejam distribuídas aos Estados. A cidade de Manaus, que passa por um colapso no seu sistema de saúde, terá prioridade e ficará com 5% do total das doses.
“É uma esperança que vem da ciência, do esforço da tecnologia e da inovação do País. Sem o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Programa Nacional de Imunizações (PIN) nada seria possível. É no conhecimento científico que se encontra o caminho de continuidade e sustentação da vacinação”, afirmou Nísia Trindade, durante a cerimônia que marcou o início da distribuição da vacina AstraZeneca/Oxford.
Ela acrescentou ainda que crises como a atual devem ser vistas como um caminho de aprendizado e de fortalecimento das instituições e da democracia.