Geral

Mesmo com aumento da oferta, taxa de ocupação em leitos de UTI para covid-19 no ES supera 70%

O governador Renato Casagrande já afirmou, em diversas ocasiões, que se a ocupação chegasse a 80%, Estado adotaria medidas mais severas

Foto: Divulgação

Apesar do aumento da quantidade de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) exclusivos para pacientes infectados pelo novo coronavírus, a oferta de vagas nos hospitais de referência para a covid-19 no Espírito Santo ainda preocupa. De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), atualmente o Estado possui um total de 409 leitos de UTI, sendo que 298 já estão ocupados — uma taxa de ocupação de 72,86%.

Na Grande Vitória, região que concentra quase 80% dos casos de coronavírus no estado, a situação é ainda mais preocupante. A atual taxa de ocupação dos leitos de terapia intensiva na região é de 78,57%. O governador Renato Casagrande já afirmou, em diversas ocasiões, que se a ocupação de leitos de UTI no estado chegasse a 80%, o Estado adotaria medidas mais severas para tentar controlar a disseminação da covid-19.

No Hospital Estadual Jayme dos Santos Neves, na Serra, principal unidade de referência para casos graves da doença no Espírito Santo, a taxa de ocupação já superou essa marca, chegando a 83%. Atualmente, o hospital conta com 183 vagas de UTI para covid-19, com 152 já ocupadas.

Segundo o médico intensivista Antônio Viana, que atua no Jayme Santos Neves, logo depois que um leito de UTI para covid-19 é liberado no hospital, a mesma vaga é novamente ocupada. Ele afirma que nenhum leito fica ocioso.

“Vaga no CTI que é referência para coronavírus hoje não fica nem uma hora ociosa. Só fica mesmo para o tempo de limpeza, higienização dos leitos e tudo mais. Mas assim que damos alta para um paciente, automaticamente já tem outro para ocupar aquela vaga”, relata.

O médico alerta ainda que, nesse ritmo, não é possível garantir que todos os pacientes encaminhados para o hospital sejam acolhidos. “A gente está sempre precisando desses leitos. A gente não consegue trabalhar tendo a certeza que vai ter vaga para todo mundo. É um pouco angustiante a gente saber que muitas vezes a gente vai ter o nosso recurso humano, o nosso recurso físico, mas a gente não vai ter o recurso estrutural. É o famoso colapso do sistema”, afirmou.

O também médico intensivista Adenilton Rampinelli destaca que não só o número de vagas de UTI disponíveis preocupa, mas também o quadro de profissionais da saúde.

“Uma coisa que começou a preocupar a gente nas últimas semanas é o número de baixas de profissionais. Colegas médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, que têm a suspeita ou a confirmação de coronavírus, acabam se afastando. Então os outros colegas vão ter que se sobrecarregar para cobrir jornadas maiores ou duplicar jornada, para conseguir manter o atendimento desses pacientes. Vai aumentar o número de leitos, vai aumentar o número de respiradores, mas quem vai tocar esse serviço? Não é simplesmente ter o material. O sistema de saúde pode entrar em colapso por falta de profissional”, ressaltou.

Adenilton, que trabalha em um hospital estadual e em um filantrópico da Grande Vitória, foi um dos 1.764 profissionais da saúde que contraiu a covid-19 no Espírito Santo. Em abril, ele ficou afastado por mais de duas semanas das atividades após ter sido infectado pelo novo coronavírus.

“Fiquei 18 dias afastado e alguns colegas tiveram que fazer jornadas duplas para cobrir o meu horário. É lógico que isso foi há 35 dias, num ambiente muito mais tranquilo, não tinha o grande número de casos que a gente tem. Mas, do mesmo jeito que eu tive, a gente tem conhecimento de outros colegas que estão tendo agora e que a gente vai ter que cobrir esses colegas”, destacou.

Leitos para outras enfermidades

Os profissionais alertam também para a possibilidade de leitos de UTI para outras enfermidades serem usados para o tratamento de pacientes de covid-19 no Espírito Santo. Segundo eles, isso pode resultar também na falta de vagas para outras enfermidades.

“O fato é que a gente tem outras doenças, elas não pararam de existir. Tem outras comorbidades que levam o indivíduo a procurar atendimento médico, à UTI inclusive, e a gente precisa ter leitos para receber esse doente também. É preocupante, mas a gente espera que tudo dê certo no final, que o Estado esteja se preparando da melhor forma possível. E o que for da nossa parte, enquanto profissional da saúde, a gente está preparado para fazer”, disse a fisioterapeuta Ludmila Miranda, que atua nas UTI’s de dois hospitais da Grande Vitória.

A produção da TV Vitória/Record TV perguntou à Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) quantos leitos de terapia intensiva para outras enfermidades existem na rede pública do Estado e qual a parcela ocupada. No entanto, até a noite desta quinta-feira (14), a secretaria ainda não havia dado resposta.

Com informações da repórter Fernanda Batista, da TV Vitória/Record TV