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Após denúncia, MPF vai investigar atendimento a vítimas de violência sexual no Hospital das Clínicas

Vítima apontou uma série de problemas no serviço oferecido pelo hospital, que agora terá 30 dias para prestar informações ao Ministério Público sobre o seu protocolo de atendimento a esses casos

Foto: Divulgação

O Ministério Público Federal no Espírito Santo (MPF-ES) vai investigar os procedimentos adotados pela equipe médica do Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes (Hucam) — o Hospital das Clínicas de Vitória — no atendimento a vítimas de violência sexual. 

Um inquérito civil público foi instaurado para apurar a regularidade do funcionamento dos serviços no hospital a partir de uma denúncia recebida pelo Núcleo de Enfrentamento às Violências de Gênero em Defesa dos Direitos das Mulheres do Ministério Público Estadual (MPES), narrando supostas irregularidades envolvendo o atendimento no Hucam às mulheres vítimas de violência. 

Como se trata de um hospital federal, os autos foram encaminhados ao MPF, que deu início à apuração dos fatos.

Na denúncia, a vítima narrou que o atendimento no Hospital das Clínicas foi “extremamente demorado” e que os funcionários não sabiam orientá-la sobre quais os procedimentos seriam necessários. 

A vítima disse ainda que não foi autorizada a presença de um acompanhante, tendo permanecido sozinha no local, e que foi atendida por um interno de ginecologia e um estudante de Medicina, ambos homens. 

Além disso, ela alega que, por diversas vezes, foi perguntada sobre o motivo de estar no local e como o suposto abuso teria ocorrido, tendo que relatar o fato para diversas pessoas.

Com isso, o MPF solicitou que o Hucam informe, no prazo de 30 dias, qual o protocolo de atendimento às vítimas de violência sexual, incluindo, se houver, o fluxo de encaminhamento por parte das unidades policiais, realizado atualmente.

O que diz o Hospital das Clínicas

Por meio de nota, a empresa responsável pela gestão do Hucam informou que o hospital ainda não foi intimado pelo MPF. Ainda segundo a empresa, se for notificada, a unidade prestará todos os esclarecimentos necessários. 

Na nota, a empresa também destaca que o “Hucam preza pelo atendimento humanizado e de excelência, o que fez com que a unidade seja referência em diversos atendimentos na região”. 

Ainda segundo a nota, se for comprovado que a unidade hospitalar precisa aprimorar processos, o Hucam não medirá esforços para melhorar seus serviços.

Apoio a vítimas de violência sexual

O MPF ressaltou que o Brasil é signatário da Convenção sobre Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (Decreto nº 4.377/2002) e da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher – Convenção de Belém do Pará (Decreto nº 1.973/96).

Além disso, a recomendação do Comitê CEDAW (Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres) preconiza o estabelecimento de medidas de proteção a essas vítimas, entre as quais garantia do acesso a médicos, tratamentos psicossociais e de aconselhamento de alta qualidade.

Os serviços de saúde também devem ser sensíveis aos traumas e incluir serviços de saúde mental, sexual e reprodutiva oportunos e abrangentes, incluindo contracepção de emergência e profilaxia pós-exposição ao HIV.

O MPF ressalta ainda que os Estados devem prestar serviços especializados de apoio às mulheres, tais como linhas de atendimento gratuitas 24 horas, e um número suficiente de centros de apoio e referência seguros e adequadamente equipados para crises, bem como abrigos adequados para mulheres, seus filhos e outros membros da família, conforme necessário.

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