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Navio polar construído no ES ajudará em pesquisas sobre mudanças climáticas

O Almirante Saldanha auxiliará na realização das pesquisas, coordenadas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do governo federal

Foto: Thiago Soares/Folha Vitória

O primeiro navio polar construído em solo brasileiro no Estaleiro Jurong, em Aracruz, terá como principal objetivo a realização de estudos e pesquisas sobre mudanças climáticas no continente da Antártica. 

As informações foram repassadas pelo almirante Ricardo Jaques Ferreira, nesta terça-feira (17), em cerimônia realizada no Estaleiro Jurong, em Aracruz, no Norte do Espírito Santo

A manhã foi marcada pelo “batimento de quilha” do navio polar Almirante Saldanha, processo importante de construção, quando a “espinha dorsal” da embarcação é concluída, possibilitando o resto da criação. O ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, participou da solenidade.

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Ainda segundo o almirante Ricardo Jaques Ferreira, o navio auxiliará na realização das pesquisas, realizadas na Antártica, coordenadas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do governo federal. 

Confira o vídeo que mostra como será o navio polar:

Os brasileiros já estão no continente gelado há 41 anos, com o Programa Antártico Brasileiro (Proantar). O principal objetivo da ação é ampliar o conhecimento científico no continente gelado para compreender os fenômenos e a influência sobre o território do Brasil. 

Foto: Reprodução

Confira a entrevista com o almirante da Marinha do Brasil 

Que tipo de serviço e pesquisas o navio fará na Antártica? 

Almirante Ricardo Jaques Ferreira – Apoiando as pesquisas que são coordenadas pelo Ministério da Ciência, Ecnologia e Inovação, nós temos pesquisas nas áreas de biologia marinha, oceanografia, meteorologia, geodésia, nós mesmos da marinha fazemos diversos. 

Levantamentos hidrográficos naquela região, além das pesquisas climáticas que hoje são aquelas que despertam bastante atenção e chamam a nossa atenção às pesquisas relacionadas às mudanças climáticas. 

O navio vai substituir outra embarcação que já está chegando no fim da vida útil? 

Sim, o navio Ary Rongel, que foi construído na década de 1980, vem chegando ao final do seu ciclo de vida. Por isso, a Marinha, com o seu planejamento de substituição, fez a solicitação para podermos ter um novo navio para atender as demandas da Comunidade Científica Brasileira. 

Esse é o primeiro navio polar construído 100% aqui no Brasil. Quais estão sendo os principais desafios? 

Os nossos desafios hoje realmente perseguem o cumprimento do cronograma. Nós estamos com essa parceria toda desenvolvida pela empresa de gerenciamento de projetos navais. 

Temos a plena convicção de que conseguiremos cumprir o nosso prazo e entregar esse navio em 2025 para que já possamos apoiar os pesquisadores no tempo previsto. 

O que é o Programa Antártico Brasileiro?  

O Programa Antártico Brasileiro é um programa já de longa história, o Brasil está presente na Antártica desde a década de 80, já são 40 anos consolidados, já é presença consolidada na Antártica. 

E nós desenvolvemos essas pesquisas, é um acordo, uma cooperação que nós temos, entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a Marinha do Brasil e o Ministério do Meio Ambiente, nós três, esses três ministérios fazem as análises desses projetos e são desenvolvidos projetos voltados para biologia marinha, oceanografia, meteorologia, lá nós descobrimos, estamos em campanha também, em apoio à Fundação Oswaldo Cruz, temos desenvolvimentos, estudos em cima de fungos e bactérias desenvolvidos. 

Desenvolvimentos probióticos, itens que podem ser aplicados na agropecuária e o importante, o estudo das mudanças climáticas que é feito nas altas latitudes e a gente tenta trazer uma interação para o que acontece no nosso país, para que nós possamos entender um pouco mais do que está acontecendo no nosso país”. 

O Brasil participa do Tratado Antártico…

É um projeto bem longevo, já de mais de 40 anos e essa presença contínua com as pesquisas que são desenvolvidas garantem a participação do Brasil no tratado antártico que vai, dentro de alguns anos, decidir os futuros da Antártica. Nós somos um país consultivo, um membro signatário consultivo, então está aí a importância de todo esse programa. 

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Repórter do Folha Vitória, Maria Clara de Mello Leitão
Maria Clara Leitão Produtora Web
Produtora Web
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário Faesa e, desde 2022, atua no jornal online Folha Vitória