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No Brasil, 25% das mulheres não têm acesso adequado ao saneamento básico

A pesquisa da BRK Ambiental mostra que falta de acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário afeta desempenho escolar de meninas e até a nota no Enem

Foto: Divulgação

Não ter acesso à água tratada e aos serviços de coleta e tratamento de esgoto tem impacto direto na desigualdade de gênero no Brasil, como mostra o estudo nacional realizado pela BRK Ambiental, em parceria com o Instituto Trata Brasil. A realidade é dura: no país, uma em cada quatro mulheres lidam com a falta de saneamento básico, com consequências calculáveis em sua formação educacional e renda, além da qualidade de vida, saúde e bem-estar.

No total, o público feminino que vive nestas condições representa 27 milhões de pessoas, mais de 10% da população brasileira. Quando olhamos para as indígenas e negras, os déficits são relativamente maiores.

Segundo dados da PNADC (IBGE, 2017), 15,2 milhões de mulheres declararam não receber água em suas residências, ou seja, uma em cada sete brasileiras não tinham acesso à água. Essa carência se concentrava na população mais jovem (0 a 14 anos), de menor escolaridade e nas classes de renda mais pobres.

Além de não contarem com água potável, a ausência de banheiro em suas moradias – o mais primário dos problemas associados ao esgoto – atingia 1,6 milhão de mulheres brasileiras. O estudo da BRK Ambiental aponta que o acesso a água e esgoto de forma regular tiraria, imediatamente, 635 mil de mulheres da pobreza.

As análises possibilitam traçar um perfil da privação: a mulher sem acesso adequado à água tratada pertencia a uma família entre as 30% mais pobres do Brasil, ela tinha baixa instrução – em sua maioria tinha o ensino fundamental incompleto –, era adolescente ou jovem (menos de 40 anos), morava nas regiões metropolitanas do país ou nas áreas rurais.

Investimentos

No Brasil, Cachoeiro de Itapemirim foi um dos primeiros municípios a recorrer à iniciativa privada para elevar os índices de saneamento básico, realizando investimentos ao longo dos últimos 21 anos. Nesse período, a concessão dos serviços de água e esgoto investiu cerca de R$ 243 milhões em obras, melhorias e modernização do Sistema de Abastecimento de Água e do Sistema de Esgotamento Sanitário, contribuindo para promover transformações na vida de milhares de famílias.

Em especial nos últimos dois anos, os investimentos somaram R$ 12,7 milhões. Como resultado, Cachoeiro, atualmente, 99,6% da população urbana recebe água tratada de qualidade, índice alcançado por poucos municípios brasileiros, e a disponibilidade do sistema de esgotamento sanitário é 98,31% inclusive nos distritos, evitando a poluição do rio Itapemirim e dos córregos.

“Atuamos de forma contínua para a evolução do saneamento básico, que tem um potencial transformador na vida das pessoas. Estamos realizando um ciclo de investimentos, iniciado em 2018, que chegará a R$ 30 milhões até 2022, possibilitando melhoria da qualidade de vida e diminuição da incidência de doenças de veiculação hídricas e das internações hospitalares por falta de saneamento, além de redução nos gastos com a saúde”, ressalta o diretor da BRK Ambiental em Cachoeiro, Bruno Ravaglia.