As obras do Cais das Artes, iniciadas há 13 anos e que ficaram paradas por oito anos, serão retomadas a partir da próxima semana, com o prazo de conclusão de 30 meses, ou seja, de no máximo dois anos e meio.
O anúncio e assinatura das ordens de início das obras foi feito pelo governador Renato Casagrande, em solenidade no Palácio Anchieta, em Vitória, nesta sexta-feira (14).
“Esse é um passo importante no desenvolvimento do Estado e preciso dizer que ninguém faz nada sozinho. Não é obra só da minha equipe, mas do povo capixaba. Parecia que tinha uma cabeça de porco enterrada no caso, mas agora assinamos a ordem de serviço e vamos retomar”, iniciou o governador.
Segundo o secretário estadual de Cultura, Fabrício Noronha, a obra será “monumental”, até por ser um projeto do arquiteto capixaba Paulo Mendes da Rocha, reconhecido mundialmente e que faleceu em 2021.
“O próprio acordo com o consórcio Andrade Valadares/Topus traz segurança de um teto de gastos de R$ 20 milhões e diz que o que passar fica por conta da empresa, para que a gente não tenha surpresas lá na frente e consiga entregar a obra”, disse.
Além disso, o secretário informou que a estrutura tem sido verificada continuamente e que não há rachadura, vazamento ou algo assim.
Esses 30 meses são para a entrega com tudo equipado, o teatro e o museu, com toda a infraestrutura para receber exposições, espetáculos e atividades da cultura.
Na primeira fase, a empresa vai avaliar o que consegue aproveitar do material que já existe.
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“Resolvemos o problema”, diz o governador
Casagrande alegou que a obra do Cais das Artes ficou parada por oito anos porque, na época, era um governo que ia dar sequência e não deu, então o caso foi judicializado.
“Isso causa uma longa demora, mas conseguimos resolver o problema”, disse.
Para o chefe do Executivo estadual, a empresa está começando um grande acordo inovador, para que se consiga colocar um fim e concluir a obra, que será importante para a área cultural e para o turismo.
“Vamos dar sequência e a empresa começa na próxima semana a assumir e se movimentar para organizar o que falta no cais”, pontuou.
Segundo Casagrande, as obras do Cais vão valorizar o espaço urbano e dar uma resposta aos desafios do novo sistema tributário.
“Na hora que se faz investimento, ajuda na economia e permite que as pessoas possam vir para a região. Até quando se faz um calçamento, uma pavimentação de comunidade, as pessoas investem nas propriedades, trazem hotel, restaurante, etc, isso anima as pessoas e com o Cais será assim”, acrescentou o governador.
Para Casagrande, cultura e turismo andam juntos e uma área para exposições vai ajudar muito: “Temos que crescer na população, recebendo bem as pessoas para que elas possam consumir aqui e gerar desenvolvimento”.
Instituto de Arquitetos comenta importância
Arquiteta e conselheira do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Priscila Ceolin comemorou o próximo passo rumo à finalização do Cais das Artes.
“Em todos esses anos, o IAB nunca ficou parado, sempre ressaltando a importância dessa obra, que é do Paulo Mendes da Rocha, um arquiteto capixaba de renome nacional, mas que não há obras dele aqui no Estado. Ele fez toda sua carreira em São Paulo e é ganhador do Pritzker, que é o maior prêmio da arquitetura internacional”, disse.
A especialista afirmou ainda que ainda há no Espírito Santo a falta de um grande teatro, de uma grande área de exposição, para desenvolver a cultura e os artistas.
“Para isso fizemos manifesto, como o ‘abraço ao cais’, além de um evento de fotografia e outros”, pontuou.