O governo do Estado assinou, na manhã desta quinta-feira (5), a ordem de serviço para o início das obras de macrodrenagem da Estação de Bombeamento de Águas Pluviais (Ebap) Bigossi, em Vila Velha. A expectativa é de que a nova estação ajude a aumentar a vazão da água durante as chuvas, já que o município tem um histórico de alagamentos em períodos chuvosos.
Ao todo, estão sendo investidos cerca de R$ 34 milhões nas obras, que têm previsão para serem concluídas em março do ano que vem. A estação deve beneficiar cerca de 80 mil pessoas, dos bairros Cristóvão Colombo, Ilha dos Ayres, Divino Espírito Santo, Centro, Itapuã e Praia da Costa.
A estação de Bigossi será construída na margem esquerda do Canal Bigossi, próxima ao Terminal de Vila Velha, na Rua Presidente Lima.
Ela terá capacidade de bombeamento de 14,4 milhões de litros por hora, por meio de dois conjuntos de motobombas. As águas das chuvas serão bombeadas para a Baía de Vitória, através de 2,13 quilômetros de linhas de recalque.
A Ebap vai auxiliar na drenagem das águas que chegam no Canal Bigossi, evitando os alagamentos que geralmente ocorrem no entorno do Terminal de Vila Velha e na alça da Terceira Ponte.
“Se alagar em algum ponto, a bomba vai retirar a água muito rapidamente, nessas regiões de Cristóvão Colombo, Ilha dos Ayres, no Centro de Vila Velha. No Canal da Costa são três estações. Então vai ajudar muito a amenizar e resolver boa parte dos problemas que as pessoas vivem hoje na hora em que tem uma chuva muito intensa”, destacou o governador Renato Casagrande.
A Estação de Bombeamento de Águas Pluviais poderá ser operada remotamente, por ser totalmente automatizada, dando mais segurança à sua operação, já que não é necessário que o operador vá até o local para ligar as bombas.
“Nós vamos resolver um problema histórico. Vamos dar velocidade na saída da água, porque essas estações vão se conectar, de forma automática, para a gente poder melhorar muito a qualidade de vida de quem mora nesta cidade”, frisou Casagrande.
Duas estações de bombeamento ainda estão em fase de licitação
Ao todo, o município de Vila Velha vai contar com nove estações de bombeamento construídas pelo governo do Estado. Seis já foram entregues e a Ebap Bigossi é a sétima.
As outras duas estão em processo de licitação e devem ser anunciadas nos próximos meses. São elas as estações de Parque das Gaivotas e de Pontal das Garças. Após a conclusão das obras a prefeitura será a responsável por operar os equipamentos.
O município conta com outras três estações, que são da prefeitura. Durante a solenidade da assinatura da ordem de serviço, o prefeito Arnaldinho Borgo afirmou que o Vila Velha está se preparando para operar por tecnologia remota as 12 Ebaps, assim que forem concluídas as obras.
“As três estações existentes são municipais e já foi licitado o projeto para modernização da comunicação que irá se interligar com as outras nove. Isso aumenta nossa capacidade de enfrentar esse problema crônico. Temos a capacidade de minimizar ou até acabar com os alagamentos que antes castigavam as pessoas”, explicou.
“Mas é bom que se diga: quando chove 300 milímetros em pouco tempo qualquer lugar do mundo vai alagar. Mas com essas estações de bombeamento a cidade não vai continuar alagada”, completou o prefeito.
Histórico de alagamentos em Vila Velha
Historicamente, a cidade de Vila Velha sofre com alagamentos e os motivos são muitos. Boa parte do município está abaixo do nível do mar e o escoamento das águas sofre influência da maré.
De acordo com o secretário estadual de Saneamento, Habitação e Desenvolvimento Urbano, Octavio Guimarães, o investimento na construção das estações de bombeamento têm como objetivo justamente solucionar os problemas com alagamentos no município.
“Vila Velha concentra o maior número de investimentos em macrodrenagem da história. O objetivo é diminuir a possibilidade de alagamentos durante tempestades torrenciais, como as que já aconteceram por várias vezes. Vamos trabalhar de forma intensa para finalizar as entregas para a população o mais rápido possível”, frisou.
Um dos moradores do município que sofrem bastante com essa situação é o vendedor ambulante João de Andrade Moreira, que mora há seis anos em Cristóvão Colombo. O bairro é um dos mais afetados do município pelos alagamentos.
O vendedor conta que, nesse período em que mora na região, já teve muitas perdas por causa da chuva. “Perdi um guarda-roupa, um fogão, uma geladeira. Bateu o motor, porque a água ficou mais ou menos a uns 50 contímetros da geladeira”.
Para evitar novos prejuízos, João disse que precisou fazer algumas adaptações em casa, mas que não adiantaram muito. “Aumentei o piso em uns 70 centímetros. Só que a rua, quando chove, dá quase um metro de água”, lamentou.
O líder comunitário do bairro, Ademir Pontini, afirma que, com a construção da nova estação de bombeamento, os moradores esperaram, além do fim das perdas com a chuva, outras melhorias. “Qualidade de vida, valorização do imóvel. Porque alaga muito”.
Com informações do repórter Rodrigo Schereder, da TV Vitória/Record TV, do Governo do Estado e da Prefeitura de Vila Velha