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O cinema também é um agente transformador da realidade, diz professora da Ufes

Fazer filmes e levá-los onde muitas vezes a sala de cinema não chega é um dos desafios da indústria cultural. No Espírito Santo, um projeto tem proporcionado sessões de cinema em regiões carentes

Foto: Divulgação/Grupo Chaski

Na década de 80, um grupo peruano conhecido como “Chaski” começou a exibir filmes em locais onde as salas de cinema não chegavam. A ideia era ir aos lugares mais distantes da região metropolitana do país, para aproximar as pessoas do cinema e criar espaços de conversação e reflexão. 

Para isso, os integrantes do grupo iam da maneira que fosse possível: em burro, em caminhonete, a pé. Às vezes, era necessário esperar os dias de lua cheia para ir caminhando entre as trilhas de regiões de floresta. Às vezes era pior: no meio do caminho, tinham que enfrentar apagões, explosões de torres ou carros-bombas.

Fazer filmes e levá-los onde muitas vezes a sala de cinema não chegava era a perspectiva do grupo. Hoje, os equipamentos estão mais evoluídos, as câmeras não são mais tão pesadas e o cinema segue na arte tridimensional que nunca deixou de atrair crianças e adolescentes fanáticos.

Reportagem exibida em uma emissora peruana sobre o grupo ‘Chaski’:

No Brasil, um projeto segue o exemplo do grupo peruano, acompanhado das evoluções tecnológicas. Com o lema “Nada é mais transformador e impactante do que um bom filme”, o projeto VideoCamp é uma plataforma global online e gratuita que reúne filmes que inspiram as pessoas. Com temas engajadores e educacionais, o projeto oferece a experiência completa de assistir, compartilhar e fazer parte diretamente do movimento proposto por cada filme.

“Mais do que entretenimento, o cinema é uma arte formadora do indivíduo, e não ter acesso a salas de cinema – ou uma distribuição gratuita de conteúdo – significa não aproveitar seu imenso potencial. Os abismos entre a sétima arte e a vida real ficam cada vez menores com projetos que incentivem o jovem a conhecer a produção e seu cotidiano. O cinema também é um agente transformador”, analisa a professora do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Gabriela Santos Alves.

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Para o produtor executivo de filme no Espírito Santo, Willian Silva, o cinema conta com uma capacidade particular de retratar o real, mesmo que por meio de visões ficcionais e individuais de autores. “Em seu formato mais recorrente e difundido, um filme de cerca de duas horas consegue encenar momentos históricos e atuais, difundindo o conhecimento a quem o assiste. Com isso, ele ajuda a formar o entendimento e a consciência crítica a respeito da realidade circundante, além de disseminar conhecimento sobre outros povos e culturas para pessoas que não necessariamente viveram em outras épocas ou já visitaram outros lugares”, disse. 

Cinema na Serra

Sessões gratuitas de cinema para crianças, jovens e adultos serão realizadas a partir deste sábado (25), no bairro Planalto Serrano, na Serra. Os ingressos são gratuitos, individuais e distribuídos por ordem de chegada uma hora antes do início das sessões.

O cinema móvel do projeto está fazendo um tour pela cidade e apresentando filmes para toda a família. Até esta sexta-feira (24), já foram realizadas 55 sessões e mais de 4.200 espectadores. Foram contemplados pela iniciativa os bairros Novo Horizonte, Cidade Continental, Jardim Caparina e Planalto Serrano.

“Estamos acompanhando de perto como as crianças, jovens e adultos estão recebendo o projeto. O cinema é uma arte, mas ele é fundamentalmente uma ferramenta de educação”, disse a gerente de Comunicação e Relações Institucionais da empresa, Herta Torres.

Os filmes foram escolhidos para agradar a toda a família. São títulos internacionais de grande sucesso nos gêneros de animação, comédia, ação e aventura.

Com estrutura dotada dos mesmos recursos encontrados nas salas convencionais de cinema das grandes cidades, o ambiente tem capacidade para 78 lugares confortáveis e dispõe de isolamento térmico e acústico. Possui ar condicionado, bombonière, som estéreo, projeção convencional e 3D, gerador próprio e elevador de acesso para pessoas com necessidades especiais.

O projeto é da ArcelorMittal Tubarão, em parceria com as secretarias de Cultura do Estado e de Serra. As sessões são gratuitas, com direito a pipoca e refrigerante para o público. 

Exibições programadas:

Dia 25

8 horas – Pets, a Vida Secreta dos Bichos

10 horas – Moana

14 horas – Meu Malvado Favorito 3

16 horas – Jumanji: Bem-Vindo à Selva

19 horas – Mulher Maravilha

Dia 26

8 horas – Carros 3

10 horas – Os Incríveis 2

14 horas – Moana

16 horas – Extraordinário

19 horas – Pantera Negra

Dia 27

8 horas – Zootopia

10 horas – O Touro Ferdinando

14 horas – Os Incríveis 2

16 horas – Homem-Formiga e Vespa

19 horas – Jurassic World, Reino Ameaçado

Dia 28

8 horas – O Touro Ferninando

10 horas – Meu Malvado Favorito 3

14 horas – Pets, a Vida Secreta dos Bichos

16 horas – Homem-Aranha – De volta ao lar

19 horas – Pantera Negra