O corpo da paciente misteriosa Clarinha, que ficou internada por quase 24 anos no Espírito Santo, segue no Departamento Médico Legal (DML), em Vitória, quatro dias após a morte da mulher, de acordo com a Polícia Civil.
O motivo da permanência é que três famílias entraram em contato com o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) manifestando interesse em fazer o exame de DNA com a Clarinha, com o intuito de confirmar parentesco com a paciente misteriosa.
De acordo com Jorge Luiz Potratz, médico que cuidou da paciente durante o período em que ela esteve internada, o corpo ainda não foi liberado para sepultamento por conta dos testes que serão realizados com as famílias.
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Ele conta que, caso Clarinha seja identificada, será enterrada em um cemitério escolhido pelos familiares, caso isso não aconteça, já há um lugar selecionado para o sepultamento.
“O cemitério será Maruípe, caso nenhuma das famílias se defina como sendo positiva para o caso. Se der positivo, a família vai decidir onde sepultar. Por isso nada foi definido ainda”, relatou o médico.
Clarinha morreu na última quinta-feira (14). Um dia antes, a Justiça garantiu o registro civil para a paciente. Com isso, ela poderia ter um documento pessoal. A intenção era facilitar o atendimento médico em instituições e órgãos públicos.
A decisão judicial, tomada a partir de um pedido do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), foi obtida na última quarta-feira (13) e faz, agora, com que Clarinha não seja enterrada como indigente.
Apesar disso, restou ainda uma dúvida: a paciente seria enterrada sem um sobrenome na lápide? O médico revelou que isso também depende da identificação da família.
“Ainda não foi decidido. Caso alguma família dê positivo, vai ser o nome que ela já tinha, mas dependemos da liberação do DML. É exatamente por isso que o corpo ainda está retido”.
Potratz relata que foi procurado por dois empresários, que se ofereceram para custearem todo o sepultamento, caso a paciente não seja identificada.
Clarinha foi atropelada em junho de 2000
Clarinha foi apelidada desta forma por causa da cor da pele, muito branca. Ela foi atropelada em Vitória no dia 12 de junho de 2000. No dia do acidente, a vítima não trazia nenhum documento de identificação e ficou em coma desde a data.
Ela morreu após ser acometida no hospital de um mal súbito, com vômito e broncoaspiração, que acabou acarretando em um quadro de instabilidade respiratória. Chegou a ser atendida pela equipe médica, mas não resistiu.
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