Uma visita ilustre agraciou o litoral capixaba em janeiro deste ano. Em pleno verão, foi possível ouvir ao canto de uma baleia jubarte que nadava pelas águas do Espírito Santo. O que chama atenção é justamente a época, completamente atípica para a presença do animal no Estado.
Normalmente, as baleias jubarte vêm ao litoral do Espírito Santo entre os meses de junho e novembro, período de reprodução, o que deixou os pesquisadores curiosos. Os sons foram captados por microfones que ficam no mar e registram os sons de baleias e golfinhos.
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É um equipamento que permite a gente monitorar sem ver, então nesse caso é fundamental principalmente para a baleia, que emite um som de baixa frequência, que viaja por longas distâncias. Então, a gente não sabe a distância em que estava esse animal, podemos até saber por outros sinais, amplitude, mas se estivesse longe a gente não conseguiria enxergar, temos a sorte de contar com esse equipamento”, diz a doutoranda em Bioacústica Morgana Alvarenga.
O material foi recebido e analisado por uma especialista do Rio Grande do Sul, que enviou as gravações ao Projeto Amigos da Jubarte, um grupo de pesquisadores capixabas que se dedica ao estudo e preservação destes animais.
De acordo com o coordenador do projeto, Thiago Ferrari, esta é a primeira vez que este registro acontece no Espírito Santo, desde a fundação do Amigos da Jubarte, há nove anos.
“É inédito para o nosso projeto. Desde 2014, a gente faz esse monitoramento e é a primeira vez que a gente ouve uma jubarte cantando em janeiro. Isso foi uma informação científica muito importante, muito curiosa”, disse.
Dentre os motivos que podem ter causado o canto atípico, há algumas possibilidades: talvez o animal estivesse adiantado ou atrasado para o período de acasalamento ou estivesse machucado e pedindo ajuda a algum outro indivíduo.
Para Ferrari, o contato demanda ainda muita pesquisa para a compreensão do fato e saber se ele se repetirá.
“O que a gente vai fazer nos próximos anos é continuar verificando se isso se torna algo constante. Se nos próximos verões a gente vai continuar vendo ou ouvindo baleias jubarte por aqui. Se isso se tornar um padrão de comportamento, de baleias isoladas por aqui, aí sim vamos conseguir desenvolver uma tese científica para explicar esse caso” finalizou.
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“O que a gente vai fazer nos próximos anos é continuar verificando se isso se torna algo constante. Se nos próximos verões, a gente vai continuar vendo ou ouvindo baleias jubarte por aqui. Se isso se tornar um padrão de comportamento, de baleias isoladas por aqui, aí sim vamos conseguir desenvolver uma tese científica para explicar esse caso”, disse.
Já o pesquisador e biólogo marinho Joe Barreto explica que o canto das baleias jubarte acontece em uma frequência que o ser humano também pode identificar e foi justamente este som que foi percebido durante o verão deste ano. Para ele, o motivo do canto foi apenas um, se comunicar.
“O principal motivo é, com certeza, comunicação. Ela está tentando se comunicar com outro indivíduo da mesma espécie”, salientou.
*Com informações da repórter Luana Damasceno, da TV Vitória/Record TV