Jeitinho brasileiro, criatividade ou gambiarra. A denominação é variada quando se alcança algum objetivo se apropriando de meios alternativos. Isso pode ser exemplificado na Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016, em que foram utilizadas luzes e cores para criar efeitos e reduzir os gastos.
Outros exemplos são mais simples, práticos e ainda colaboram com o meio ambiente, por meio da reciclagem de diversos materiais. Quem nunca ouviu falar dos carrinhos fabricados com caixas de leite ou criou o famoso brinquedo ‘vai e vem’ na escola usando garrafas pet?
Foi baseado justamente neste brinquedo que o professor de Educação Física Bruno Félix do Rosário teve uma ideia para ajudar nas aulas. Em 2012, ele quis ensinar o Futebol Americano para os alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Iracy Gobbi, em Cariacica. Para isso, ele desenvolveu a bola usando apenas garrafas pet, jornal e fita adesiva.
“Eu queria trabalhar o esporte com turmas do 3º e 5º ano, mas era inviável comprar uma bola dessas. Com isso, pensei em fazer, mas não encontrei nada na internet. Então eu me lembrei do ‘vai e vem'”, conta ele.
Para Bruno, a ideia deu certo e o objetivo foi alcançado, mesmo com uma bola improvisada. “Os alunos gostaram e acharam muito interessante. Desmistificou a ideia de violência no Futebol Americano. Foi bem interessante para eles e para mim”, relembra.
Após a experiência da ‘gambiarra’ com as turmas, o professor levou a ideia para uma oficina de material reciclável, promovida pela escola. Na ocasião, diversos alunos se interessaram e levaram os itens necessários para a confecção da bola.
Veja o passo a passo da confecção e crie sua bola de Futebol Americano
Enquanto o Bruno alia a sustentabilidade ao esporte, o professor Ceciliano Souza Rocha, que trabalha com crianças de 4 e 5 anos de idade, no Centro Municipal de Educação Infatil Darcy Rodrigues Cardos, também em Cariacica, ensina a cultura capixaba trabalhando em prol da preservação do meio ambiente.
Utilizando tonéis, galões, baldes, conduítes de fiação elétrica, ripas, latas de alumínio e tecidos, as crianças criam tambores, chocalhos e casacas para aprenderem mais sobre o congo, expressão folclórica característica do Espírito Santo.
Para o professor, as crianças se divertem e brincam enquanto aprendem. “Elas são muito hiperativas. A gente ensina a fazer os instrumentos e elas já estão aprendendo a tocar algumas músicas”, conta.
Veja algumas fotos do trabalho do professor Ceciliano
Esse trabalho com as crianças é somado à diversas outras atitudes já existentes na escola. “Nós já temos vários projetos na escola, como a economia de água e com recicláveis. Com esse a gente consegue ensinar a cultura através da sustentabilidade”, destaca o professor Ceciliano.