Há 17 dias em greve, os professores estaduais vão continuar de braços cruzados por tempo indeterminado. A afirmação é do Sindicato dos Trabalhadores na Educação do Espírito Santo (Sindiupes). A categoria rebateu as afirmações do governo do Estado em que dizia não ser possível conceder o aumento pleiteado pelos professores.
“O que nós estamos pedindo é a reposição das perdas inflacionárias e não reajuste. E essa reposição não é impedida pela lei eleitoral. O aumento de 4,5% que foi dado no início do ano não representa nem a inflação registrada em 2013, que foi de quase 6%”, diz o secretário de organização do Sindiupes, Marcelo Castro.
Além de manter a greve, os professores prometem realizar novos protestos na próxima semana, porém, durante o feriado, não estão programados nenhuma manifestação. Segundo a Secretaria de Estado da Educação (Sedu), cerca de 70% das escolas estaduais estão sem aulas desde o início da greve.
A Secretaria de Recursos Humanos (Seger) foi procurada, mas até o fechamento da reportagem ainda não tinha se posicionado sobre a reclamação dos professores.
Governo e professores não entram em acordo
A última reunião entre os representantes dos professores estaduais e o governo do Estado terminou sem acordo na última terça-feira (22). De acordo com o Sindiupes, o governo não teria apresentado nenhuma proposta para a categoria. Já o governo diz que a reunião foi “uma conversa muito boa” e apontou que algumas reivindicações dos professores já estão encaminhadas.
O último protesto
Na última quarta-feira (23), um protesto reuniu mais de 1 mil pessoas na Enseada do Suá, em Vitória. Professores saíram em passeata do ginásio Álvares Cabral para o Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) em manifestação contra a liminar da Justiça que decretou a greve da categoria ilegal. O protesto não registrou incidentes, porém, professores mais exaltados chegaram a entrar no saguão do TJES e gritaram palavras de ordem.
Cronologia da greve
>> Em março, a categoria entregou uma pauta de reivindicações aos deputados estaduais. Os professores exigem o cumprimento da lei do piso, carreira e jornada; investimento dos royalties de petróleo na valorização da categoria; votação imediata do Plano Nacional de Educação e a destinação de 10% do PIB para a educação pública; e contra a proposta dos governadores de reajuste do piso somente pelo índice da inflação.
>> No dia 17 março, um protesto realizado pelos professores terminou em conflito com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), na Serra. Os docentes foram às ruas pedir mais valorização da classe. A polícia exigia que os professores ocupassem apenas uma faixa da via. Com a recusa do grupo, a polícia usou spray de pimenta e gás lacrimogêneo.
>> No dia 18 de março, mais de 5 mil professores se reuniram em frente à Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales) em uma nova manifestação. Os manifestantes atravessaram a Terceira Ponte e, em seguida, foram para o Hortomercado, em Vitória, onde se reuniram com profissionais de diversos municípios capixabas.
>> Em 8 de abril, após uma assembleia, os profissionais decidiram entrar em greve e pararam o trânsito. Eles se concentraram na Praça Getúlio Vargas, na Capital, e seguiram em caminhada até o Palácio Anchieta.
>> Na última terça-feira (22), a categoria se reuniu com o governo do Estado para discutir as pautas de reivindicações dos professores. A reunião não chegou a nenhum acordo. O Sindiupes diz que o governo não apresentou nenhuma proposta para o fim da paralisação.
>> Na quarta-feira (23), a categoria decidiu em assembleia que a greve continua por tempo indeterminado. De acordo com a Secretaria de Estado da Educação, cerca de 70% das escolas estaduais estão sem aulas com a paralisação dos professores.
>> No mesmo dia 23, cerca de 1 mil professores saíram em passeata em um protesto contra desembargadores que decretaram a greve ilegal. Professores fizeram apitaço e gritaram palavras de ordem. O trânsito ficou completamente parado na região.