Um grupo de trabalho, formado por representantes das redes pública e particular de ensino, além de outras entidades, foi constituído para elaborar um protocolo que servirá como referência para o retorno das aulas presenciais no Espírito Santo. A ideia é que nesse protocolo haja medidas de segurança para reduzir os riscos de disseminação do novo coronavírus nos ambientes escolares.
Segundo o secretário estadual de Educação, Vitor de Ângelo, essas discussões já ocorrem há cerca de um mês. Inicialmente, o grupo foi composto por mantenedores de escolas públicas e privadas do Espírito Santo, além da própria Secretaria de Estado da Educação (Sedu).
“Construímos uma proposta inicial, para pensar em um conjunto de ações de natureza administrativa, sanitária, psicossocial e pedagógica para a volta às aulas presenciais, independente de quando elas acontecerem, sempre sob orientação das autoridades de saúde e do governador do Estado”, ressaltou o secretário, durante uma entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira (25).
A proposta inicial, segundo De Ângelo, foi compartilhada com outras instituições e entidades, como a Associação dos Diretores e Ex-diretores das Escolas da Rede Pública Estadual de Ensino do Espírito Santo (Adires-ES), sindicatos, Ministério Público Estadual (MPES), Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e Conselho Estadual de Educação, que foram integradas ao GT.
“Estamos agora agregando a Amunes (Associação dos Municípios do Espírito Santo) e outros setores e entidades que estão solicitando a participação nesse grupo, para discutir um aspecto essencial, inclusive para o planejamento dos gestores educacionais, que é o protocolo sanitário. Há um protocolo, em via de finalização pela Secretaria Estadual de Educação, que será compartilhado nesse grupo. É um protocolo com instruções mínimas para que as aulas presenciais possam voltar com toda a segurança necessária, no momento correto e adequado”, destacou De Ângelo.
O secretário explicou que, após a elaboração desse protocolo sanitário e de sua validação por parte do GT, os profissionais que atuam nas escolas passarão por um treinamento a respeito dessas novas medidas. “Todo profissional da escola precisa ter uma clareza dos protocolos de saúde, porque são eles as pessoas que, em última instância, orientarão os adolescentes e as crianças a respeito desses protocolos, zelando pelo seu cumprimento e, nesse sentido, pela segurança sanitária que a escola precisa para manter-se aberta”, frisou.
Escolas particulares
Um dos integrantes desse grupo de trabalho é o Sindicato das Empresas Particulares de Ensino do Espirito Santo (Sinepe-ES). O presidente do sindicato, Moacir Lellis, afirma que o Sinepe-ES já elaborou internamente um protocolo e o distribuiu entre as escolas particulares de todo o Estado. O documento também foi apresentado ao GT.
“É um protocolo orientativo para que as escolas se preparem e saibam o que é preciso fazer para dar segurança a seus alunos e funcionários quando as aulas retornarem. Cada escola precisa se adequar conforme a sua realidade. Nós temos instituições de ensino infantil, fundamental, médio e superior, e cada uma tem sua particularidade”, ressaltou Lellis.
Entre as medidas propostas nesse protocolo está a realização de um rodízio entre os alunos. Enquanto uma parte irá à escola para assistir ao conteúdo presencial, a outra permanecerá em casa, participando das atividades à distância. Depois, haveria a reversão desses grupos.
“Como precisamos manter um distanciamento, em uma sala que comporta 20 alunos, por exemplo, dependendo do tamanho dela, vamos ter que colocar dez. E os outros dez ficam em casa tendo acesso ao conteúdo não presencial”, frisou.
Outras medidas sugeridas foram a desinfecção das mochilas dos estudantes e a proibição de que elas sejam deixadas no chão; a retirada, na entrada da escola, do calçado usado na rua e a sua substituição por um calçado desinfectado; a não utilização de brinquedos fabricados com materiais que favoreçam a permanência do vírus em sua superfície por mais tempo, entre outras.
De acordo com o presidente do Sinepe-ES, foi contratada uma bióloga para ajudar na elaboração do protocolo. Além disso, ele passou pela avaliação de uma infectologista, que acrescentou outros pontos. “Esse protocolo está baseado no que a OMS (Organização Mundial da Saúde) e a Fiocruz orientam, e também no que foi feito em países como Portugal. Nele tem escrito todas as referências”.
Retorno das aulas
As aulas presenciais estão suspensas no Espírito Santo desde o dia 17 de março, em função da pandemia do novo coronavírus. De lá para cá, novos decretos foram publicados pelo governo do Estado, prorrogando a suspensão das atividades presenciais.
O Executivo estadual já descartou a possibilidade de as aulas serem retomadas no mês que vem. De acordo com o governador Renato Casagrande, o principal fator que será levado em consideração para que o governo autorize o retorno das atividades é o índice de transmissão, também chamado de RT, que indica o potencial de transmissão do coronavírus dentro de uma região.
“Na terceira etapa do nosso inquérito sorológico, foi constatado que duas pessoas são capazes de transmitir o vírus para outras três ou quatro. Portanto, ainda estamos em um processo de transmissão crescente. Precisamos que esse RT fique abaixo de 1 para que a gente tenha a redução da pandemia. À medida que a gente tiver casos ativos em um número muito inferior aos casos já curados, nós poderemos ter um pouco mais de segurança para voltar, com todo um protocolo a ser seguido”, destacou Casagrande, durante a coletiva realizada nesta quinta-feira.
“A escola é o local de maior interação que se possa ter. O aluno sai de uma comunidade onde ele tem vizinhos, família, amigos, tem um final de semana com a comunidade, com encontro, confraternização. Depois vai para uma escola onde ele encontra vários alunos que têm o mesmo tipo de relação. Tem também os professores e servidores. Então é um lugar de interação altíssima. É preciso que a gente esteja com a pandemia controlada para que a gente não cause nenhum problema aos professores, servidores, alunos e familiares dos alunos”, acrescentou o governador.