Há dois anos, a Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo (SESA) observa a diminuição da cobertura vacinal da chamada tríplice viral, vacina de imunização contra sarampo, caxumba e rubéola, doenças erradicadas no país.
Apesar de ainda não haver nenhum caso de sarampo no Espírito Santo, a diminuição da vacinação em crianças é motivo de preocupação, já que com menos crianças imunizadas aumenta a possibilidade de propagação da doença.
A Coordenadora do Programa Estadual de Imunizações, Danielle Grillo, afirma que é preciso ficar vigilante para que a doença não volte. “O sarampo está erradicado no estado, desde o ano 2000 não há transmissão dentro do território. Tivemos apenas um caso, em 2013, que uma pessoa adulta viajou para a Europa e voltou infectada. Rapidamente detectamos e fizemos o bloqueio vacinal, impedindo que a doença se espalhasse”, conta Danielle.
Apesar da diminuição da vacinação em crianças, a SESA identificou um aumento na cobertura vacinal de adultos. Em 2016 foram aplicadas pouco mais de 42 mil doses da tríplice, enquanto em 2017 o número foi de mais de 60 mil. A procura pela vacina de difteria e tétano também aumentou no mesmo período, em 2016 foram aplicadas cerca de 129 mil doses, enquanto em 2017 o número saltou para mais de 264 mil.
O Programa Nacional de Imunizações praticado no Brasil é referência internacional de política pública de saúde. O país engloba um dos maiores programas de vacinação do mundo e se equipara ao programa de vacinação do Reino Unido, tido como o melhor e mais completo.
A coordenadora acredita que a diminuição da vacinação em crianças pode ter ligação com o fato das doenças estarem erradicadas há anos e os pais acreditarem que, por isso, não há riscos. “Os pais mais jovens não tiveram contato com essas doenças e não viveram na época em que a mortalidade por meio delas era muito alta. Como as doença não fazem parte do cotidiano, os pais acabam relaxando um pouco e é aí que mora o perigo. Essas doenças são sérias, deixam sequelas e podem levar a óbito. Precisamos garantir a vacinação para que não haja uma reintrodução do vírus”, explica Danielle.
Evitar que doenças erradicadas voltem e se proteger das que ainda afligem os brasileiros é simples e gratuito. A tríplice viral está disponível no SUS para crianças, adolescente e adultos, de 20 a 49 anos. Em crianças, a vacina é aplicada em duas doses, a primeira aos 12 meses e a segunda, chamada de tetra viral, aos 15 meses. Já os adolescentes e pessoas que tenham até 29 anos e ainda não tomaram essas vacinas, também tomam duas doses em um intervalo de 30 dias. Os adultos de 30 a 49 anos, tomam uma dose única. Danielle reforça que as pessoas que não sabem se tomaram a vacina podem procurar um posto de saúde para se imunizar. “Não há qualquer risco tomar a vacina, se a pessoa não tem certeza, é melhor prevenir. Quem perdeu o cartão de vacinação ou só tem registro de uma dose, também pode se vacinar”, explica.
A Campanha Nacional de Vacinação começa dia 6 de agosto e dura até o dia 31. O objetivo do Ministério da Saúde é corrigir falhas vacinais e vacinar quem ainda não foi imunizado. “Nossa campanha começa dia 6 e dura o mês todo. Nosso dia D será dia 18 de agosto e nosso objetivo é conseguir atingir a meta de vacinação. Para isso, crianças de 1 a 5 anos serão vacinas independente do histórico de vacinação delas”, afirma a coordenadora.
Casos de Sarampo no Brasil acendem alerta
Em 2016, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) declarou as Américas como primeira região livre do Sarampo em todo o mundo. Apesar da conquista, a Venezuela enfrenta um surto de sarampo atualmente. Com a crise enfrenta no país, muitos venezuelanos tem cruzado a fronteira em direção ao Brasil e a proliferação da doença já atinge alguns estados do país. O Amazonas e Roraima registram surtos da doença, com cerca de 500 casos confirmados e mais de 1,5 mil em investigação. E não é só na região norte que a doença reapareceu, no estado do Rio Grande do Sul também foram detectados 7 casos.
São considerados vacinados:
– pessoas de 12 meses a 29 anos que comprovem duas doses de vacina com componente sarampo/caxumba/rubéola;
– pessoas de 30 a 49 anos que comprovem uma dose de tríplice viral;
– profissionais de saúde, independentemente da idade que, comprovem duas doses de tríplice viral.