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Reino Unido e UE debatem sobre pesca enquanto prazo para o Brexit se aproxima

Em meio a um fim de semana crucial de negociações, uma solução para os direitos de pesca ainda não foi alcançada entre União Europeia e Reino Unido, deixando os dois sem um acordo comercial que atenuaria os efeitos de uma saída caótica e custosa no dia do ano-novo.

Com centenas de milhares de empregos em jogo em toda a economia, o pequeno setor de pesca continua causando conflito entre o bloco de 27 países e o Reino Unido, destacando a animosidade que os levou ao Brexit. O Reino Unido deixou o bloco em janeiro, mas o período de transição econômica de 11 meses termina em 31 de dezembro.

O gabinete do primeiro-ministro Boris Johnson afirmou neste domingo que a UE “continua a fazer demandas que são incompatíveis com a nossa independência. Nós não podemos aceitar um acordo que não nos deixa em controle de nossas próprias leis ou águas”.

O direito de controlar suas águas foi uma parte essencial do que levou os apoiadores do Brexit à vitória no referendo de 2016. Johnson agora busca fazer com que o máximo possível das águas britânicas compartilhadas sejam retornadas a apenas embarcações britânicas.

A UE sempre manteve que essas águas são compartilhadas há décadas, se não séculos, e insiste que se direitos demais de pescaria forem retirados, ela vai punir o Reino Unido ao impor pesadas tarifas de importação ao continente, que é essencial para a indústria britânica de frutos do mar.

A situação deixou as conversas inconclusivas, com empresas de ambos os lados pedindo por um acordo que economizaria dezenas de bilhões em custos. Johnson, porém, não foi convencido. “Nós precisamos que qualquer acordo seja certo e baseado em termos que respeitem o que os britânicos votaram”, disse o gabinete dele.

O parlamento da UE precisa aprovar qualquer acordo antes do fim do ano e estabeleceu um prazo até domingo a noite para poder fazer uma revisão do acordo e aprová-lo antes do ano-novo. Negociadores, porém, não ficaram felizes com mais um prazo, quando tantos já foram perdidos durante o processo de saída que já dura quatro anos.

Um oficial de um país da UE diz que o bloco está se recusando a ceder mais de um quarto das cotas de pesca que pode perder agora que o Reino Unido está recuperando controle total de suas águas por causa do Brexit. O Reino Unido insiste que um período de transição de três anos seria suficiente para que pescadores da UE se adaptem às novas regras, enquanto a UE quer pelo menos seis anos.