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Sem elevador disponível na Ufes, cadeirante será carregada para ver filha dançar ballet

A filha de Patrícia vai participar de uma apresentação de ballet em dezembro, mas o elevador do teatro está desativado para troca, que vai acontecer a partir do último dia da apresentação

Patrícia Orlette tem 42 anos e é farmacêutica Foto: Reprodução/ Facebook

A capixaba Patrícia Orlette, que tem 42 anos e é farmacêutica, enfrenta um grande problema em relação à acessibilidade ao Teatro Universitário, localizado no campus de Goiabeiras da Universidade Federal do Espírito Santo, em Vitória

A filha de Patrícia vai participar de uma apresentação de ballet nos dias 1 e 2 de dezembro, mas o elevador do teatro está desativado para troca, de acordo com informações publicadas no portal oficial da universidade.

Patrícia disse em entrevista ao Jornal Online Folha Vitória que se sentiu triste ao saber da notícia. “Me ligaram da escola de ballet da minha filha preocupados e disseram que receberem um e-mail da coordenadora do teatro informando que o elevador estará com as funções suspensas até o dia 15 de dezembro, o que dificultaria ou impediria o meu acesso ao teatro no dia da apresentação da Lara”, explica.

Mesmo que o elevador não volte a funcionar antes da apresentação da filha, a capixaba garante que não vai perder o evento. “Eu vou mesmo que eu seja carregada por amigos.”

Além da dança da filha, Patrícia também tem uma apresentação marcada para o dia 26. “No dia 26 eu teria um show para apresentar, eu iria toca guitarra. Eu estou mantendo os ensaios na esperança de que no dia eu vá conseguir subir.”

Após a notícia que recebeu do problema com o elevador, Patrícia fez um desabafo nas redes sociais. “Depois da notícia que recebi, antes de ir para as redes sociais entrei em contato com a ouvidoria da Ufes e eles me deram uma resposta oficial que foi publicada no site deles.”

A farmacêutica garante que só quer que o elevador esteja em pleno funcionamento para que pessoas com deficiência ou outras dificuldades possam participar das apresentações. “Mesmo quando você briga por direitos, as pessoas acham que você é chata, mas sempre recebo ajuda para subir dois ou três degraus para ir a algum restaurante ou algo parecido e nunca reclamei por isso. O problema é que a escadaria do teatro é enorme e corre o risco de que algum acidente aconteça. Mesmo que a Ufes consiga duas pessoas para me ajudar a subir é um risco que estou correndo.”

“É preciso fazer o exercício das pessoas se colocarem no lugar das outras”

Patrícia concorda que as devidas manutenções sejam feitas. “A minha indignação é que eles proponham fazer uma reforma. Porque eles têm que fazer a manutenção mesmo, mas se tivesse um planejamento dizendo quando eles acabariam a manutenção ou se dessem uma solução seria diferente. O problema é paralisar o elevador em um período onde a agenda de eventos está lotada”. 

A filha de Patrícia vai participar de uma apresentação de ballet nos dias 1 e 2 de dezembro Foto: Reprodução

Ela disse que assim como ela, outras pessoas ficam reféns dessa situação. “Todo mundo que fica refém disso. Porque não tem como um espetáculo que está planejado há um ano ser mudado de lugar tão rápido.”

Para Patrícia, o transtorno causado é bem maior do que as pessoas imaginam. “É um transtorno maior do que as pessoas pensam. Não quero que liguem para mim. Não é a causa de uma pessoa só, mas de todas as pessoas que tem dificuldade de mobilidade. Essa reclamação não é algo especificamente para mim.”

A capixaba disse que é preciso que as pessoas se coloquem no lugar das outras por alguns minutos. “É preciso fazer o exercício das pessoas se colocarem no lugar das outras. Não me faço de vítima e não gosto que as pessoas sintam pena. Muitas outras têm problemas assim como eu, umas tem diabetes, outras tem outras dificuldades, eu só estou em uma cadeira”. 

Resposta da Ufes

A equipe do Jornal Online Folha Vitória entrou em contato com a Ufes, que informou que a resposta oficial foi publicada no portal da universidade na última sexta-feira (13). Segue na íntegra ao texto publicado pela universidade sobre o caso: 

O Teatro Universitário terá um novo elevador a partir de dezembro. O equipamento anterior, que vinha apresentando problemas recorrentes, será totalmente substituído, o que incluirá a troca da máquina e da cabine.

“Após realizar uma análise do elevador, a Prefeitura Universitária recomendou a substituição completa do equipamento. No dia 3 de novembro desativamos o elevador e iniciamos sua substituição. Nosso objetivo é oferecer um melhor atendimento ao público que frequenta o espaço, em especial às pessoas com necessidades especiais”, afirma o superintendente de Cultura e Comunicação da Ufes, Edgard Rebouças.

O superintendente destacou que, enquanto o elevador estiver desligado, cadeirantes ou pessoas com mobilidade reduzida serão conduzidas ao interior do teatro com o auxílio de colaboradores treinados pela Diretoria de Cidadania e Direitos Humanos da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil e Cidadania (Proaeci), se assim desejarem.

A previsão é que o novo elevador esteja disponível ao público a partir do dia 2 de dezembro.