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Sem médico-legista e sem estrutura, SML de Cachoeiro funciona em contêineres

Quem necessita realizar algum exame ou liberar o corpo de um familiar precisa aguardar em um local cercado por tapumes. Segundo o sindicato, as condições de trabalho são insalubres

Foto: Divulgação/ Sindipol-ES

O consultório médico legista e o cartório do Serviço Médico Legal (SML) de Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Espírito Santo, estão funcionando em contêineres devido a uma reforma no prédio da unidade. Segundo o Sindicato dos Policiais Civis do Espírito Santo (Sindipol-ES), o funcionamento tem trazido transtornos para quem precisa de atendimento no local. 

A família de Charlene de Lenis Gonçalves e de Ysaquiele Júnia Gonçalves está entre as que enfrentaram dificuldades para conseguir a liberação de corpos. Mãe e filha foram mortas à facadas na noite de 15 de setembro, em Marataízes.

No dia seguinte ao crime, a família procurou o SML de Cachoeiro e foi informada de que não havia médico-legista disponível para fazer o exame cadavérico e liberar os corpos para o enterro. 

Na ocasião, a Polícia Civil admitiu, por meio de nota, a falta de um profissional no local para atender à família. Segundo a corporação, em dias em que não há médico-legista no plantão, existe a possibilidade de realizar a liberação, em casos de menor complexidade, no plantão seguinte.

Os corpos de Charlene e Ysaquiele foram liberados depois de dois dias. O irmão de Charlene contou que os corpos da irmã e da sobrinha ficaram fora da geladeira durante este período. 

“Elas ficaram quinta e sexta no rabecão. Elas apodreceram, pois não colocaram na geladeira. Não teve como fazer o velório”, disse.

O local em que os cadáveres e a geladeira estão sendo colocados, segundo o Sindipol-ES, são separados apenas pela porta do cartório. Quem necessita realizar algum exame ou liberar o corpo de um familiar precisa aguardar em um local cercado por tapumes. No espaço, segundo o Sindipol-ES, não há nem local para sentar.

De acordo com o presidente do Sindipol-ES, Aloísio Fajardo, a estrutura em que o SML está funcionando atualmente não é adequada para o atendimento a população e para o trabalho dos profissionais. 

“Como está tento uma obra para reforma do prédio, colocaram dois contêineres. A gestão poderia ter contratado um espaço para que os professionais não fossem submetidos a um tratamento totalmente irregular e insalubre”, disse.

Ainda de acordo com informações do Sindipol-ES, a reforma do prédio do Serviço Médico Legal de Cachoeiro começou em janeiro e deveria ter terminado em julho. 

Segundo o presidente do sindicato, as condições de trabalho foram comunicadas aos secretários de Segurança e de Estado do Governo, ao delegado-geral e aos superintendentes de Polícia Técnico Científica e de Polícia Regional Sul.

“Não podemos aceitar que policias civis continuem trabalhando nessas condições. É desumano para os profissionais e para a população”, pontuou.

Obra deve ser concluída em janeiro de 2022

A previsão da Polícia Civil é que a obra de reforma do Serviço Médico Legal de Cachoeiro de Itapemirim seja concluída em janeiro de 2022. Ao contrário do que informou o sindicato da categoria, a corporação afirma que as obras começaram há 40 dias.

A Polícia Civil informou que, durante a reforma, o atendimento está sendo realizado no mesmo local onde funciona o SML, em espaços temporários e móveis, com refrigeração e instalações adequadas.

Segundo a corporação, as necropsias estão sendo realizadas no próprio SML e, quando a reforma ocorrer especificamente na Sala de Necropsia, este serviço será transferido para uma sala na Unidade de Pronto Atendimento de Marbrasa, disponibilizada pela prefeitura de Cachoeiro de Itapemirim.

Outros exames e perícias, de acordo com a Polícia Civil, continuarão sendo realizados nas instalações do SML durante todo o período da reforma. A Polícia afirma que a suspensão do atendimento no local traria transtornos para os moradores da região, que teriam que se deslocar até Vitória para a realização de perícias. 

A Polícia Civil destacou, ainda, que reforma das instalações do SML trará mais conforto às famílias que necessitam dos serviços e aos servidores do local.

Quadro de funcionários da Polícia Civil 

O Sindipol-ES e a Polícia Civil informaram que há uma previsão para que novos policiais civis, que atualmente estão em um Curso de Formação, assumam funções até novembro. Com isso, o quadro de servidores da corporação poderão ser supridos.

A Polícia Civil destacou que o início do curso foi prejudicado pela pandemia, que obrigou o cancelamento das aulas presenciais e, por consequência, a alteração do prazo para a formatura dos novos policiais.

Foto: Thiago Soares/ Folha Vitória
Gabriel Barros

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Graduado em Jornalismo e mestrando em Comunicação e Territorialidades pela Universidade Federal do Espírito Santo. Atua desde 2020 no jornal online Folha Vitória.

Graduado em Jornalismo e mestrando em Comunicação e Territorialidades pela Universidade Federal do Espírito Santo. Atua desde 2020 no jornal online Folha Vitória.