Após reunião a portas fechadas com a diretoria da Petrobras no Estado, os representantes do Sindicato dos Petroleiros capixaba afirmaram que a estatal não informou dados importantes sobre o acidente no navio-plataforma, ocorrido nesta quarta-feira (11) no litoral de Aracruz, para dar assistência às vítimas e às famílias.
“Ainda não sabemos quem são as vítimas fatais, nem que está ferido para prestarmos auxílio e informar os parentes sobre o ocorrido”, ressaltou Paulo Rony, que é coordenador do Sindipetroleiros no Estado.
O sindicalista também criticou a terceirização do serviço feita pela Petrobras para operar em plataformas FPSO, como a Cidade São Mateus, que são afretadas pela empresa para operar em poços pré e pós sal. “Esse foi mais um evento envolvendo pessoal contratado por terceirização. Parece que terceirizar o serviço o deixa precário”, afirmou.
Segundo a Petrobras, a BW Offshore, empresa responsável pelo navio, está dando toda a assistência às famílias das vítimas. Duas equipes da Agência Nacional do Petróleo (ANP) também foram enviadas para acompanhar as investigações sobre as causa do acidente.
Risco calculado
Segundo o engenheiro naval Alexandre Simos, que é chefe do Departamento de Engenharia Naval e Oceânica da USP, é provável que a explosão tenha sido causada por um vazamento de gás em alguma parte do complexo sistema de funcionamento do navio convertido em plataforma. “Esse tipo de problema pode ocorrer por falha em algum equipamento ou erro de manuseio”, explicou o engenheiro.
Simos destacou que a plataforma/embarcação é utilizada pela Petrobras há mais de 25 anos e, apesar do risco de incidentes, o navio-plataforma é considerado seguro. “Existem em operação mais de 30 plataformas deste tipo e é raríssima a ocorrência de explosões e outros acidentes fatais”, disse. O professor finalizou dizendo que, mesmo após uma explosão como essa, é possível recuperar a embarcação e fazê-la voltar a operar.