
Com mais de 90% dos leitos de UTIs ocupados e o aumento no número de casos da covid-19, todo o Estado entrou no chamado risco alto, que prevê medidas duras de distanciamento e isolamento pelos próximos 14 dias. A determinação foi anunciada na terça-feira (16) pelo governador Renato Casagrande.
Em apoio ao governo, representantes do Ministério Público, Tribunal de Contas, Assembleia Legislativa, Defensoria Pública e de outros órgãos também participaram do anúncio sobre o fechamento total das atividades e serviços no Espírito Santo a partir desta quinta-feira (18).
O governador reforçou que o resultado positivo, a partir das medidas adotadas, só será possível se a sociedade contribuir, não aglomerar e seguir as ações de distanciamento social.
E foi justamente em relação ao comportamento da sociedade que o presidente do Tribunal de Contas do Espírito Santo, Rodrigo Chamoun, teceu críticas. Ele afirmou que o momento de aceleração dos casos e de pressão na rede de saúde é resultado de rebeldia e sabotagem contra as medidas de proteção individual.
“Chegamos à ruína como sociedade, sabotamos o uso correto de uma levíssima máscara, sabotamos o uso correto do álcool, o distanciamento físico de 1 metro e meio. Onde houver pessoas aglomerando, há um ato criminoso de propagação do vírus. É uma soma de tragédias, impulsionadas pelo exemplo de poucas autoridades”, afirmou Chamoun.
O presidente do TCES se posicionou sobre a abertura de leitos de UTIs e afirmou que apenas a garantia de novas vagas não é suficiente para salvar vidas. “Como cidadão fico muito frustrado. Vejo o anúncio de aumento de leitos como um sinal. ir para a UTI não é uma estatística favorável. Uti não é spa”, disse.
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Sobre a letalidade e o avanço da covid-19, Chamoun comparou o cenário com uma guerra, afirmando que o vírus é um inimigo que assombrou o mundo todo. Ele cobrou o comprometimento das pessoas no combate à doença: “As pessoas precisam assumir seu papel individual, usar máscaras, limpar as mãos, manter o distanciamento social até que todos estejam imunizados”.
Ocupação de leitos
No final da manhã desta quarta-feira (17), o painel de ocupação de leitos da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) mostrava que 88,87% dos leitos de UTI exclusivos para covid-19 estavam ocupados. A taxa de ocupação dos leitos de enfermaria está em 80,63%.
A situação mais crítica é a da Região Metropolitana, dos 515 leitos disponíveis, 465 estão ocupados, o que representa uma de 90,29% de ocupação. Em seguida vem a região Sul, com 89,52% dos leitos ocupados, a região Central vem em seguida, com 84,06% e no Norte, a taxa de ocupação é de 80,36%.
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