Um grupo de cerca de 20 refugiados venezuelanos que estava acampado em uma praça na Enseada do Suá, na Capital, aceitou o pedido da prefeitura para ir para o Abrigo de Imigrantes de Vitória.
Agentes da prefeitura estiveram junto dos refugiados na manhã desta terça-feira (21), mas somente no fim da tarde o convite foi aceito pelo grupo, que conta com cerca de 14 crianças e adolescentes.
Os imigrantes chegaram em Vitória em março e inicialmente ficaram em uma ocupação no Centro, mas logo depois foram para a Enseada do Suá.
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Um outro grupo de refugiados teria chegado ao Estado em 2022 e ficou por volta de quatro meses em um abrigo, mas por conta dos alagamentos daquele ano, acabou migrando para Minas Gerais.
A professora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Brunela Vincenzi, informou que os imigrantes são indígenas e fazem parte de uma etnia que costuma viver isolada no país de origem.
“É uma etnia super antiga, que existe há aproximadamente 7 mil anos de isolamento, então eles falam uma língua específica, uma língua isolada, e estão no Brasil há aproximadamente quatro anos”, informou.
Ainda segundo Vincenzi, por serem imigrantes e indígenas, a comunidade tem costumes e cultura diferentes dos brasileiros e que fogem de uma situação de violação de direitos humanos na Venezuela.
“São pessoas refugiadas que estão fugindo de uma situação de grave violação de direitos humanos no país delas e são pessoas indígenas, ou seja, elas não podem ser separadas, não podem ser obrigadas a entrar na escola imediatamente, tem que ser feita uma adaptação, um conhecimento das tradições”, afirmou.
Apesar de ter aceitado o convite da prefeitura, uma das imigrantes que faz parte do grupo afirma que esta não é a situação ideal para a comunidade, uma vez que todos fazem parte da mesma família e que os abrigos estão cheios.
“Nós não queremos abrigo, abrigo tem muitas pessoas, muitos homens, por isso não queremos abrigo. Queremos uma casa juntos, só família”, disse a imigrante Rita Matta Rattia.
Encaminhamentos para abrigos são feitos, afirma secretária
Apesar da resistência por parte do grupo em ir para um abrigo, as equipes de abordagem da prefeitura têm feito sua parte para realizar o encaminhamentos, segundo a secretária de Assistência Social de Vitória, Cyntia Schulz.
De acordo com a secretária, um dos pontos de preocupação com a situação dos imigrantes é o fato de o grupo ser composto majoritariamente por crianças, que estão fora da escola.
“Nossas equipes de abordagem têm feito os encaminhamentos, têm convidado eles a estar em um abrigo, é um grupo que tem muitas crianças, então esse é um ponto de atenção”, disse.
Ainda segundo Schulz, a ida ao abrigo representa também uma oportunidade ao grupo de ingressar no mercado de trabalho, para que possa se manter no país de forma independente.
“Eles têm aptidão com o trato com a madeira, com artesanato, buscar formas de sobrevivência para que possam estar autônomos no território”, acrescentou.
A Secretaria de Estado de Trabalho, Assistência e Desenvolvimento Social (Setades) informou que acompanha a situação de perto junto à Prefeitura de Vitória e que já investiu cerca de R$ 100 mil na cidade.
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*Com informações da repórter Gabriela Valdetaro, da TV Vitória/Record