
Imagens do circuito de TV de um condomínio do bairro Goiabeiras, em Vitória, registraram o momento em que o motoboy Renato Vieira da Costa, de 31 anos, é atingido por um carro em alta velocidade, em um cruzamento na avenida Fernando Ferrari, na noite do último sábado (12). As imagens mostram que, no momento da batida, o sinal estava aberto para o motoboy.
Antes da colisão, Renato ainda aguarda a passagem de um carro, que havia furado o sinal. Quando ele começa a atravessar o cruzamento, um segundo veículo o atinge em cheio.
Com o impacto, o corpo do motociclista foi arremessado no ar e a moto foi parar do outro lado da avenida. A motocicleta ainda desliza na pista, até parar em um poste, a cerca de 20 metros à frente.
Testemunhas disseram que os dois carros que avançaram o sinal vermelho pareciam disputar um racha. O caso está sendo investigado na Delegacia Especializada de Delitos de Trânsito. “Quem dirige em alta velocidade, quem ultrapassa o sinal vermelho já assume o risco de matar. E ele matou o meu irmão”, lamentou Warley Vieira da Costa, irmão de Renato.
Após o acidente, o motorista do carro que atingiu a moto conduzida por Renato foi levado para a Delegacia Regional de Vitória, onde prestou depoimento e foi liberado. De acordo com a Polícia Civil, a decisão foi baseada no Código de Trânsito Brasileiro, uma vez que o condutor permaneceu no local do acidente e prestou socorro à vítima. Ainda segundo a PCES, o condutor foi submetido ao teste do bafômetro, que deu negativo.
A produção da TV Vitória/Record TV entrou em contato com a irmã do motorista, que disse que ele não vai se pronunciar sobre o caso, por enquanto, já que ainda está em estado de choque. A reportagem não conseguiu contato com o condutor do outro automóvel.
Protesto
Na tarde desta segunda-feira (14), um grupo de motoboys se reuniu para protestar contra o acidente que resultou na morte de Renato e a violência e a impunidade no trânsito.
Eles saíram do local onde o colega foi atropelado e seguiram pela avenida Fernando Ferrari, Ponte da Passagem e Reta da Penha, na capital. A manifestação deixou o trânsito lento na região.
Fim de semana violento
Somente neste último fim de semana, o jornalismo da TV Vitória registrou seis acidentes de trânsito. No domingo, na Praia de Camburi, em Vitória, um carro preto bateu em uma moto e em mais três veículos que estavam parados no sinal vermelho. Quatro pessoas se feriram.
No Centro de Vitória, uma caminhonete tombou depois de ser atingida por um carro desgovernado. Segundo a polícia, nesses dois casos, os motoristas dirigiam sob efeito de álcool.
Já no sábado, um cabo do Corpo de Bombeiros bateu com o carro em duas viaturas da Polícia Civil, em Vitória. A PM disse que o motorista apresentava sinais de embriaguez, resistiu ao teste do bafômetro e foi encaminhado ao hospital sentindo dores no peito.
“O comportamento humano, infelizmente, é o causador dos problemas no trânsito. Nós precisamos de associar a responsabilidade da sociedade em conduzir com responsabilidade”, afirmou o especialista em trânsito Josimar Amaral.
Motoboys são as principais vítimas
O fim de semana violento no trânsito da Grande Vitória não foi por acaso. Dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) revelam que é justamente nos finais de semana que a maioria dos acidentes com mortes acontece.
Entre janeiro e julho deste ano, 393 pessoas perderam a vida no trânsito em todo o Espírito Santo. Desse total, 231 morreram entre a sexta-feira e o domingo. A morte de Renato ajudou a engrossar as estatísticas da Sesp, que apontam que, do total de vítimas que morreram no trânsito este ano, 45% foram motoboys.
Para o especialista em trânsito Josimar Amaral, existe uma relação entre a morte de motoboys com os dias e horários dos acidentes com óbitos. “Nos finais de semana, principalmente com a pandemia, muitas pessoas em casa solicitam o transporte de alimentos, e os profissionais que atuam nas motos são muito acionados. Infelizmente, eles podem incidir nesses eventos de trânsito, que resultam nessas tragédias que a gente tem acompanhado”, ressaltou.
A secretaria também levantou os horários em que as mortes no trânsito acontecem com mais frequência. Das 393 mortes ocorridas entre janeiro e julho, 208 aconteceram durante o dia, entre 6 e 18 horas. Os demais 185 óbitos foram à noite, das 18 às 6 horas do dia seguinte.
Com informações do repórter Alex Pandini, da TV Vitória/Record TV