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Vitória 466 anos: A presença da fé e da comunidade judaica em Vitória

O toque do Shofar celebra a chegada do Shabat para os judeus no Centro de Vitória, onde se reúne parte da comunidade judaica da Capital. Conheça um pouco desta comunidade que faz parte dos 466 anos de história da cidade.

Vitória 466 anos: A presença da fé e da comunidade judaica em Vitória

Sempre às sextas-feiras, no horário do pôr-do-sol, um grupo se reúne na escadaria São Diogo, no Centro de Vitória, para entoar cânticos e louvores. Assim que o sol se põe, três toques de uma trombeta, o Shofar, anunciam a chegada do Shabat, dia sagrado para os Judeus. De acordo com a doutrina bíblica, esse é o dia em Deus descansou após a criação do Universo. Por isso, para os Judeus, o sétimo dia da semana deve ser guardado e dedicado ao Criador.

É o que explica o médico Leonardo Reuter Motta Gama, um dos representantes da comunidade Judaica que vive em Vitória. De acordo com ele, é difícil precisar a quantidade de Judeus que vivem na cidade, já que a maioria desconhece a origem da família. “A estimativa é de que 70% da população brasileira tenha essa ascendência, mas a maioria desconhece”.

Segundo Leonardo, isso ocorreu por conta da imigração europeia, principalmente portuguesa e espanhola, nos séculos XVII e XVIII. “Muitas famílias judias migraram para as Américas fugindo da inquisição romana. Sobrenomes como Pereira, Motta, Silva, Machado, Oliveira, Castro, entre tantos outros, têm origem entre os Judeus”, explica.

O médico conta que ele próprio desconhecia a origem judaica da família. “Nossa família já professava a fé judaica, mas sem conhecer as raízes familiares. Até que fizemos uma ampla pesquisa e conseguimos refazer todo o histórico familiar, confirmando as origens da família”, contou.

Na opinião de Leonardo, a capital do Estado é um local bom para se viver, mas que falta uma maior mobilização da sociedade civil para que a qualidade de vida seja ainda melhor. “Vitória tem um povo trabalhador e muito receptivo. É uma das cidades mais bonitas que conheço. Já morei fora e não troco Vitória por nada. No entanto, sinto que falta mais participação da população em ações que ajudem no desenvolvimento social e cultural da cidade”, comentou.

Associação Alef Bet

Partindo do princípio da justiça social (Tzedaká) presente no livro sagrado do Judaísmo, a Torah, a Associação Alef Bet reúne voluntários para a realização de trabalhos sociais, sobretudo nas comunidades adjacentes a região do centro de Vitória.

De acordo com Leonardo, que também é presidente da Associação Alef Bet, o grupo possui um ano e meio e cerca de 70 membros. “Entendemos que, enquanto sociedade, não podemos simplesmente cruzar os braços. Precisamos fazer nossa parte para uma sociedade mais justa e igualitária. É esse pensamento que permeia o trabalho da associação”, comenta.

Segundo Leonardo, um dos projetos é realizado em parceria com a prefeitura de Vitória e oferece aulas de música para aproximadamente 200 crianças do bairro do Centro. A associação também realizada visita a famílias carentes dos bairros próximos para auxiliar em diversos tipos de necessidades, dentre outras, a distribuição de cestas básicas.

Sinagoga

Além da celebração que acontece na Escadaria São Diogo, os membros da comunidade Judaica contam com uma Sinagoga, localizada também no Centro da Cidade. O antigo casarão, onde já funcionou a pro-matre foi totalmente restaurado pelos membros da comunidade, preservando as características arquitetônicas do local.

A Casa de Oração também realiza trabalho social voltado para a distribuição de refeições para acompanhantes de pacientes que estão em tratamento na Grande Vitória. 

“Nós chegamos a servir refeições semanais para os acompanhantes dos pacientes de alguns hospitais da rede pública de saúde, pois os mesmos não eram contemplados nessas instituições. No momento, a distribuição está suspensa por conta da reforma da cozinha, mas retomaremos esse trabalho em breve”, conta Leonardo.

Reportagem: Susana Kohler