Meio Ambiente

Grandes águias florestais: conheça o projeto Harpia Mata Atlântica

A harpia, maior águia das Américas, enfrenta desafios na Mata Atlântica. O projeto Harpia Mata Atlântica monitora e protege esses incríveis predadores

Grandes águias florestais: conheça o projeto Harpia Mata Atlântica

As primeiras vezes que vi uma harpia na natureza foram momentos que marcaram minha jornada como fotógrafo de conservação

Harpia pousada em uma árvore na Mata Atlântica do Espírito Santo, observando a floresta ao redor
Harpia registrada em seu habitat natural na Mata Atlântica do Espírito Santo. | Foto: Leonardo Merçon/Instituto Últimos Refúgios

Desde 2017 sou parceiro do Projeto Harpia e, ao longo dos anos, tive a oportunidade de testemunhar e registrar momentos incríveis dessas aves majestosas. 

Pesquisadores reunidos em um workshop do Projeto Harpia, discutindo estratégias de conservação da espécie
Encontro de especialistas discutindo a conservação das harpias no Brasil. | Foto: Leonardo Merçon/Instituto Últimos Refúgios

A cada expedição, a emoção de encontrar um casal “namorando” perto do ninho, um filhote esperando os pais para ser alimentado ou uma predação bem diante dos meus olhos, só reforça minha admiração por esses animais e pela importância do trabalho dos projetos de conservação.

Uma jornada em busca das águias da floresta

A harpia é uma ave que impõe respeito. Com garras tão grandes quanto minhas mãos e uma envergadura que ultrapassa dois metros, ela é um dos predadores mais poderosos das florestas tropicais. 

Harpia levanta voo em uma árvore da Mata Atlântica, destacando suas imponentes garras e asas.
Harpia levanta voo em uma árvore da Mata Atlântica, destacando suas imponentes garras e asas Foto: Leonardo Merçon/Instituto Últimos Refúgios

Mas encontrar uma na selva não é fácil. As expedições envolvem longas caminhadas na mata fechada, muitas vezes sob calor intenso, mosquitos e carrapatos. Com apenas o som de nossos passos e a sinfonia da floresta ao redor, os pensamentos vão longe durante as horas de trilhas. Isso quando não é necessário subir montanhas no meio da floresta, com equipamentos pesados. Parece desestimulante, certo? 

Pesquisadores em expedição na Reserva Natural Vale, analisando indícios da presença de harpias na região
Pesquisadores em campo na Reserva Natural Vale para monitoramento de harpias. | Foto: Leonardo Merçon/Instituto Últimos Refúgios

Pois é, isso está longe da verdade. A recompensa vem quando, de repente, avistamos a silhueta de uma harpia pousada no topo de uma árvore centenária com muitos metros de diâmetro, nos observando com curiosidade. 

 Harpia no alto de uma árvore centenária, observando a equipe de pesquisadores com curiosidade
Harpia observando atentamente do alto de uma árvore. | Foto: Leonardo Merçon/Instituto Últimos Refúgios

Esse olho no olho faz o tempo congelar e o cansaço desaparecer. A adrenalina dispara e só penso em fazer o melhor registro possível, pois as gigantes da floresta merecem.

O Projeto Harpia

O Projeto Harpia surgiu em 1997 no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) após a descoberta de um ninho de harpia em uma floresta próxima a Manaus pela pesquisadora Tânia Sanaiotti. 

Atualmente, o projeto tem atividades em muitas regiões do Brasil, contando com uma excelente rede de pesquisadores e instituições parceiras.

O Projeto Harpia – Mata Atlântica

É nesse contexto que entramos. A Mata Atlântica é um dos biomas mais ameaçados do mundo e, com isso, as harpias que habitam essa região também estão em risco. 

Em 2017, o Projeto Harpia Mata Atlântica foi criado para intensificar os estudos e a proteção dessas aves no bioma. 

Foi nesse período, que a convite do amigo professor Aureo Banhos da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), tenho participado do projeto e percebo a cada dia que ele tem sido essencial para o monitoramento da espécie, resultando na localização e no acompanhamento de muitos ninhos, gerando importantes dados para a ciência. 

Pesquisadores monitoram harpias no Espírito Santo para estudos de conservação. | Foto: Leonardo Merçon/Instituto Últimos Refúgios

Tecnologia aliada à conservação

O que mais me impressiona é a atitude vanguardista do projeto, testando tecnologias e inovando na área da pesquisa e monitoramento de animais. Tudo isso em um cenário brasileiro, no qual muitas vezes a ciência não é tida como prioridade.

Porém, com esforço e determinação a equipe do Projeto Harpia – Mata Atlântica atua na conservação dessas aves, não só protegendo-as, mas também beneficiando todo o ecossistema ao seu redor.

Drones, câmeras de monitoramento em tempo real, telemetria e análises genéticas fornecem informações valiosas sobre o comportamento e a distribuição da espécie. 

Curiosidades sobre a harpia

A harpia é um símbolo de poder na natureza. Ela é considerada uma espécie guarda-chuva, pois sua conservação (e o ambiente onde habita) beneficia um grande número de outras espécies que compartilham seu habitat. 

Além disso, essas aves possuem um ciclo reprodutivo extremamente lento, com apenas um filhote a cada dois ou três anos. 

Essa característica torna a recuperação populacional um desafio e reforça a necessidade de proteção dos indivíduos e de seus habitats.

Comunidade e ciência cidadã

O Projeto Harpia Mata Atlântica não se limita apenas ao monitoramento das aves. Ele também busca envolver as comunidades locais na conservação, promovendo a ciência cidadã e incentivando moradores a se tornarem defensores da biodiversidade. 

A participação das populações locais é essencial para garantir a proteção das áreas onde as harpias vivem. Sendo que, muitas vezes, o projeto consegue descobrir novos ninhos com base em dicas dadas por moradores locais.

Filhote de harpia no ninho, protegido por um proprietário local comprometido com a conservação da espécie
Filhote de harpia protegido por um proprietário local na Bahia. | Foto: Leonardo Merçon/Instituto Últimos Refúgios

O desafio da fragmentação da Mata Atlântica

Um dos principais desafios para a sobrevivência das harpias na Mata Atlântica é a fragmentação florestal. 

O desmatamento reduz os territórios dessas aves, dificultando a busca por alimento e a reprodução. Sem grandes árvores para nidificação, muitas harpias têm dificuldade em se estabelecer e perpetuar sua espécie. 

A manutenção de grandes áreas florestais, das árvores gigantes da Mata Atlântica e dos corredores ecológicos é essencial para conectar as populações e garantir a sobrevivência desses animais no bioma.

Uma missão que continua

Para mim, cada expedição e cada história registrada são formas de manter viva a luta pela conservação da harpia e do seu habitat. 

Participar do Projeto Harpia – Mata Atlântica é um privilégio que me permite testemunhar de perto a grandeza dessas aves e o esforço de tantos profissionais dedicados à sua proteção. Pessoas que admiro muito! Aproveito para desejar o meu muito obrigado pela luta tão árdua.

O futuro das harpias na Mata Atlântica depende de ações concretas e do engajamento de todos. 

Nós temos a responsabilidade de garantir que essas águias continuem a voar pelas copas da floresta.

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Espero que tenham gostado desta história. Te vejo na próxima aventura!

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Leonardo Merçon Fotógrafo de Natureza, Cinegrafista e Produtor Cultural
Fotógrafo de Natureza, Cinegrafista e Produtor Cultural
Fundador e diretor do Instituto Últimos Refúgios, OSC ambiental/cultural sem fins lucrativos, que atua desde 2011 na divulgação e sensibilização ambiental