Ônibus incendiados, viaturas da polícia depredadas, ataques coordenados. A recente onda de violência, desencadeada após a morte de um criminoso, expôs a fragilidade da segurança pública e escancarou a audácia do crime organizado.
Não se trata de um conflito entre forças equivalentes. De um lado, está o Estado, com o dever constitucional de manter a ordem. Do outro, facções criminosas que recorrem à violência como forma de retaliação. Tentar normalizar essa dinâmica como uma espécie de “protesto” é perigoso — e equivocado.
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A cidade viveu dias de medo e tensão. A rotina de milhares de cidadãos foi impactada. Linhas de ônibus foram suspensas ou desviadas, deixando trabalhadores sem transporte e comunidades inteiras em alerta. Comerciantes fecharam as portas, diante de um cenário que se assemelhava a um toque de recolher não oficial.
Apesar do reforço no policiamento, a sensação de insegurança persistiu. A principal pergunta segue sem resposta: como criminosos conseguem agir com tamanha organização e impunidade?
As forças de segurança não conseguiram antecipar os ataques. Tampouco prender, de forma imediata, os envolvidos. Imagens dos atentados existem — a frota do sistema Transcol é equipada com câmeras de videomonitoramento —, o que levanta ainda mais questionamentos sobre a efetividade da resposta do Estado.
Mais do que ações pontuais, o momento exige uma reação firme, articulada e duradoura. O Estado precisa reafirmar sua autoridade e garantir que a população não seja refém da criminalidade.
Naturalizar a violência é abrir mão do direito à segurança.
E isso não é — e nunca será — aceitável.