Está em liberdade a mulher apontada pela polícia como mandante do assassinato do próprio marido, o eletricista Luiz Carlos Devens, de 49 anos, morto a tiros, em janeiro, em Nova Almeida, na Serra. Iraci Bezerra Miranda saiu do presídio no último domingo (21), após permanecer presa por cerca de dois meses.
A mulher foi solta após expirar o prazo da prisão temporária que ela cumpria. Como a prisão não foi convertida para preventiva e Iraci já havia permanecido presa pelo tempo máximo permitido para uma prisão temporária, a Justiça determinou sua soltura.
A suspeita foi presa no dia 20 de fevereiro, um mês depois do crime. A Polícia Civil continuou investigando o caso e solicitou a prorrogação da prisão temporária por mais 30 dias.
Esse prazo, a polícia pediu que a prisão fosse convertida para preventiva, para que a mulher continuasse detida no decorrer da investigações, mas o Ministério Público Estadual (MPES) não acatou o pedido. O promotor responsável pela decisão alega que a polícia ainda não concluiu o inquérito e que, além disso, as provas apresentadas não foram suficientes para que os suspeitos permanecessem presos.
“Basta continuar com a investigação. É o que a gente mais quer, que [o crime] seja esclarecido. Por todo o rumo da investigação, dá para ver que ela, de fato, não teve nenhum tipo de envolvimento. O que nós mais queremos, e ela principalmente, é esclarecer isso, descobrir quem de fato cometeu esse crime, quem matou o marido dela”, afirmou o advogado de Iraci, Ygor Boaventura.
Segundo o advogado, a mulher já está na casa de familiares e aguarda pela conclusão das investigações. “Ela saiu na madrugada de domingo, por volta de meia-noite, meia-noite e meia. Inclusive eu fui buscá-la. Ela só tinha um número gravado na cabeça, me ligou e eu fui lá buscá-la”, contou.
Outro suspeito de envolvimento no assassinato de Luiz Carlos Devens também foi solto neste fim de semana, pelo mesmo motivo. Carlos Francisco da Silva trabalhava como jardineiro na casa onde a vítima morava e foi apontado pela polícia como um dos intermediadores do crime.
“Ele está feliz por ter sido solto, mas está com aquela mancha que a polícia colocou em cima dele, de injustamente ter sido o suposto autor de um crime tão horrendo como esse. Ele vai retomar a sua vida, mas com aquele peso injusto nas suas costas, de ter participado de um crime como esse”, afirmou o advogado Willian Bulhões, responsável pela defesa de Carlos.
Outros dois suspeitos de participação no crime continuam presos. No entanto, Sônia Francisco da Silva e Robert Smit Teófilo Rocha permanecem na prisão por outro motivo: contra eles, havia mandados de prisão em aberto por envolvimento com o tráfico de drogas.
“A Sônia tomou ciência que tinha um mandado de prisão em aberto contra ela, de um processo de 2006, que nem eu mesmo tinha ciência desses fatos. Ela tomou ciência disso, e eu também, a partir de quando venceu o prazo da prisão temporária. Já o Robert eu não posso falar muito, porque ele não é meu cliente, mas eu tenho ciência de que ele também respondia por outros processos e, por conta disso, vai continua preso”, frisou Bulhões, que também defende Sônia.
A defesa dos envolvidos agora trabalha para tentar provar a inocência deles. “Prender uma pessoa é algo muito sério. Você tirar a pessoa de sua família e levar para o cárcere não pode ser feito de qualquer forma. Por isso é que existem requisitos legais para isso. Foi uma esposa, uma mãe que foi tirada de casa, que foi exposta a toda essa situação”, destacou o advogado David Passos.
Apesar de Iraci e Carlos estarem soltos, eles possuem restrições. Eles não podem, por exemplo, sair da Grande Vitória sem autorização prévia de um juiz, não podem mudar de endereço e terão de comparecer em audiências a cada dois meses. “Isso dura até segunda ordem do juízo. A defesa, no momento oportuno, estará pedindo ao juiz para tirar essas restrições”, garante David Passos.
O delegado da Delegacia de Segurança Patrimonial (DSP), Henrique Vidigal, responsável pelas investigações do caso, informou que ainda não tem como precisar quando o inquérito será concluído, por ele ainda estar no judiciário.
O caso
Luiz Carlos Devens foi assassinado no dia 10 de janeiro deste ano, na casa onde morava, em Nova Almeida. No momento em que chegava na residência, o eletricista foi abordado por criminosos, que procuravam por um cofre. Enquanto isso, a esposa e as duas filhas do casal se esconderam no banheiro.
Luiz teria reagido e acabou morto. Os criminosos fugiram levando três celulares.
Segundo as investigações da polícia, Iraci teria pedido a Carlos Francisco e à irmã dele, Sônia Francisco, para eles conseguirem alguém para executar o marido dela. Em troca, os dois receberiam um pagamento. Foi então que o amigo dos irmãos, Robert Smit, de acordo com a polícia, teria matado o eletricista, simulando um assalto. Na época, todos os quatro suspeitos de envolvimento foram presos.