Polícia

'Chumbo na mão de Cheslley é um indicativo, mas não é prova suficiente para afirmar que ele atirou em PM', segundo delegado

O delegado completou, dizendo que a Polícia Civil ainda aguarda o resultado de mais exames e de perícias, que vão auxiliar na conclusão do inquérito

Foto: Reprodução TV Vitória

O laudo de exames realizados nos dedos do jovem Cheslley Oliveira Trabach, de 20 anos, apontou presença de chumbo (material presente na pólvora) na mão do rapaz, que segundo a Polícia Militar, morreu durante um confronto com policiais. 

O delegado José Lopes, chefe do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) explicou que o resultado do laudo pode indicar que Cheslley tenha atirado contra os policiais, mas não é prova suficiente, pois a investigação é feita com análise de outros elementos.

“O laudo positivo de chumbo na mão do rapaz é um indicativo de que ele poderia ter disparado a arma de fogo”. 

Questionado se a presença de pólvora descarta a hipótese de Cheslley não ter atirado contra os policiais, o delegado diz que é preciso investigar mais. “Isso (descartar a hipótese) depende, porque o laudo por si só não é a base de todo o inquérito. A gente ainda depende da investigação”, pontuou.

O delegado completou dizendo que a Polícia Civil ainda aguarda o resultado de mais exames e de perícias, que vão auxiliar na conclusão do inquérito. “Nós já estamos pedindo pra antecipar o laudo de local, o cadavérico também e estamos na fase das oitivas das testemunhas, além de coletar as provas objetivas, como fotografia”.

José Lopes disse ainda que, para as investigações da Polícia Civil, o fato de ele ser ou não um criminoso não é mais relevante que as investigações. “Eu não vejo se ele é criminoso ou deixa de ser criminoso. Nós temos que ver a ação. Se a ação for válida, tudo bem. Se não for, então a gente encaminha para o Ministério Público. Aqui a gente não julga a pessoa, mas sim a ação”, explicou.

O crime

Cheslley foi morto no dia 7 de maio, durante ação da Polícia Militar, no bairro Mucuri, em Cariacica. Segundo a PM, o jovem estaria em posse de uma moto roubada e atirou contra policiais militares. A família, por outro lado, nega a versão da PM e diz que Cheslley nunca teve envolvimento com o crime. A morte do jovem motivou dois dias de protesto e interdição na BR-101, em Cariacica.

OAB entra no caso

A comissão de direitos humanos da Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Sabto (OAB/ES) também passou a analisar o caso após receber uma série de denúncias sobre a conduta dos policiais. Membro da comissão da OAB, Jossandra Rupf, falou sobre o caso.

“A partir de agora, nós estamos oficiando o Estado, a Secretaria de segurança, analisando o inquérito e colocando a OAB à disposição dessa família, para saber de fato o que aconteceu naquele dia. Recebemos denúncias e vídeos sobre a ação da PM e observamos que, de fato, houve violações dos direitos humanos”, conta a advogada.