Polícia

Comércio fechado, linhas de ônibus alteradas e medo após ataques em Vitória

Ataques começaram após a morte de Anderson de Andrade Bento, o 4º na lista dos criminosos mais procurado do Estado

ônibus incendiado em onda de violência
Ônibus incendido por criminosos após morte de criminoso (Foto: Úrsula Ribeiro/TV Vitória)

Ônibus incendiado, viaturas depredadas e clima de tensão nos bairros do Complexo da Penha, em Vitória. A sensação de insegurança tomou conta da região após ataques cometidos por criminosos em represália a morte de um suspeito de integrar o tráfico de drogas.

Na manhã desta quinta-feira (27), moradores do bairro da Penha relataram à reportagem da TV Vitória/Record que vivem a sensação de “toque de recolher”.

Algumas linhas de ônibus também tiveram o itinerário alterado. Diversos comércios estão fechados e há relatos de que outra viatura teria sido depredada durante a manhã. A informação ainda não foi confirmada pela polícia.

Os ataques começaram após a morte de Anderson de Andrade Bento, conhecido como Andinho, na quarta-feira (26). Ele foi baleado durante um confronto com a Polícia Militar. Andinho integrava a lista dos mais procurados do Estado.

Suspeito morreu em confronto com a polícia

Durante um patrulhamento de rotina, a Polícia Militar avistou um homem com um radiocomunicador, que levantou suspeitas de envolvimento com o tráfico de drogas. Os militares tentaram abordar o rapaz, mas ele conseguiu fugir. Logo após, ele foi alcançado e contido.

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Segundo a polícia, ele entrou em luta corporal com os agentes e tentou tomar a arma de um dos militares, que estava caído no chão. Outro policial interveio na situação e atirou no suspeito.

Anderson chegou a ser socorrido e levado para um hospital, mas não resistiu aos ferimentos. De acordo com a polícia, ele possuía uma extensa ficha criminal e era ligado a uma organização criminosa.

Onda de ataques após a morte

Após a morte de Andinho, uma série de ataques violentos foram registrados na Grande Vitória. Duas viaturas da Polícia Militar foram alvejadas a tiros e outras duas apedrejadas em diferentes bairros da capital.

Na orla de Camburi, um ônibus foi incendiado após passageiros serem obrigados a descer do coletivo. Em Jacaraípe, na Serra, outro ônibus do sistema Transcol também foi incendiado.

O comandante-geral da PM, Douglas Caus, afirmou que os atentados foram coordenados por traficantes ligados à mesma facção criminosa da qual Andinho fazia parte.

Ele contava com uma extensa ficha criminal, envolvendo tráfico de drogas, furto, roubo, porte ilegal de armas. Ele era um indivíduo frio, psicopata, de alta periculosidade, que tentou tirar a arma do nosso policial para poder alvejá-lo. O policial foi alvejado e socorrido. Mas, o crime mais cruel dele foi com um usuário de drogas, que não tinha condições de pagar a droga, arrancou oito dedos do homem, destacou o comandante-geral.

Impacto no transporte

Os ataques afetaram diretamente os moradores de diversos bairros da capital, pois os coletivos deixaram de circular em áreas consideradas de risco. Segundo a Companhia Estadual de Transportes Coletivos de Passageiros do Espírito Santo (Ceturb-ES), 19 linhas do sistema Transcol tiveram os trajetos alterados ou suspensos.

“Nós vamos continuar combatendo e pretendo as lideranças. Invariavelmente, durante essas ações, indivíduo que atira contra a polícia vai preso ou vai ser morto durante o confronto”, disse o comandante-geral da Polícia Militar, Douglas Caus.

*Com informações do repórter Gabriel Cavalini, da TV Vitória/Record.