O confeiteiro Edgar Barreto Santos, acusado de matar a irmã da ex-namorada, na Serra, em agosto de 2015, será levado a júri popular. O suspeito ficou foragido por um tempo, após cometer o crime e chegou a ficar na lista dos mais procuradores do Espírito Santo, mas foi capturado em 2017 e segue preso desde então.
A audiência acontece quatro anos após Edgar assassinar a cunhada Janiele das Neves Santos e tentar matar o marido dela, para se vingar da ex-namorada. A ex-mulher do suspeito comemora o novo passo na investigação. “Fiquei satisfeita por ver que a justiça está sendo feita. Espero que quem esteja no juri, seja compreensivo com a família da vítima. Nossa família vive muito triste e meus pais choram muito. É muito difícil lidar com isso”, lamentou.
O dia da audiência ainda não foi marcada pela Justiça, porque cabe recurso da defesa de Edgar.
Investigações
Em depoimento, a ex-mulher de Edgar afirmou que eles namoraram por dois anos, tiveram um noivado por mais de três anos e apontou o suspeito como um homem muito ciumento. “Cada dia que passava o ciúmes dele aumentava, de tudo. Ele não me deixava ter amizade, ir pra casa de alguém, frequentar igreja, nada. Era só o básico, só podia trabalhar”, disse.
Ainda durante a fala, a mulher contou sobre um momento de medo que viveu por conta dele. “Em 2014, cerca de um mês após o término do relacionamento, ele foi até o meu trabalho, levando uma faca de cabo preta grande e me ligou dizendo que estava lá e que iria me matar”.
Segundos as investigações, Edgar planejou cada detalhe do crime, por cerca de seis meses. O ataque teria sido motivo por vingança, porque os cunhados haviam impedido que o suspeito agredisse a mulher novamente. No dia, Edgar foi atrás da ex-mulher, pedindo para reatar, mas partiu para agressão após ser rejeitado e jurou vingança aos três.
O caso
Usando uma roupa camuflada que imitava o traje militar, Edgar entrou na casa onde a ex-mulher morava com a família, chamou pelo nome do seu cunhado e assim que o homem respondeu, o suspeito atirou. O estudante foi atingido por um tiro no braço e conseguiu correr.
Neste momento, Janiele e a irmã, ex-mulher do suspeito, ouviram os disparos e foram até o local. As duas reconhecerem Edgar, após ele gritar, mandando elas correrem. Janiele foi atingida por um tiro no pescoço e não resistiu. “Quando eu percebi que realmente era ele, eu não acreditei que pudesse chegar a tanto desastre, a tanta coisa ruim dentro de uma pessoa só”, conta a ex-mulher.
Em seguida, Edgar saiu da casa e foi armado para a rua. Vestido como um militar, o suspeito ordenou o fechamento de um bar na frente da residência, rendeu um motorista e o obrigou a levá-lo para a terceira ponte. No vão central, Edgar saiu do veículo para se jogar da ponte, mas desistiu, retornou e pediu que o homem dirigisse até Guarapari.
Depois disso, o suspeito fugiu e ficou quase dois anos desaparecido. Em 2017, Edgar foi encontrado em Minas Gerais. Para o delegado Gustavo Barletta de Almeida, responsável pelo caso, o traje usado pelo suspeito tinha um propósito para ele. “Ele estava usando uma roupa militar, inclusive boina, réplica de pistola no coldre e capa de colete. Acreditamos que, na cabeça dele, dava um conforto como se ele estivesse fazendo justiça”, afirmou.
Edgar Barreto responde pela morte da ex-cunhada, a tentativa de homicídio contra o namorado dela e da ex-namorada, por homicídio qualificado por motivo torpe e recuso que dificultou a defesa da vítima. Em relação ao homem que foi rendido e obrigado a dar carona ao suspeito, Edgar responde por constrangimento ilegal, mediante violência ou grave ameaça.
Em nota, a Secretaria de Justiça do Estado informou que o acusado permanece no Centro de Detenção Provisória da Serra. A advogada de Edgar não retornou as ligações.