Polícia

Envolvidos na morte de advogado em Cachoeiro são absolvidos pelo júri

O executor foi condenado há 20 anos de prisão, e o outro envolvido no crime foi condenado há dois anos e meio. A acusação vai recorrer e um novo júri deve ser marcado em breve

Foto: Reprodução
Fernando foi assassinado em julho de 2017

Os empresários César Junior Almeida dos Santos e Anderson Cleyton Fardim, apontados como mandantes do assassinato do advogado Fernando da Costa Ghio, ocorrido no dia 14 de julho de 2017, em Cachoeiro de Itapemirim, foram absolvidos pelo júri popular. O executor, Creisson Ribeiro da Silva, foi condenado a 20 anos de prisão, e o outro envolvido, Leonardo Prett Porto foi condenado a dois anos e meio. Eles estão presos desde agosto de 2017.

Por causa da comoção social com a morte de Fernando, o julgamento foi desaforado para a Comarca de Vila Velha, e teve início na última segunda-feira (30), sendo encerrado na madrugada desta terça-feira (1). O júri reconheceu a autoria e o dolo, no entanto, votou pela absolvição dos empresários.

O resultado causou indignação aos familiares da vítima. A esposa de Fernando, Ingrid Cheibub Ghio, classificou como ‘absurda’ a sentença. “Foi um erro técnico. Talvez por cansaço, o júri votou errado no quesito da absolvição. Não é compatível reconhecer a autoria e o dolo e absolver. O Ministério Público já está entrando com recurso e em breve teremos novo júri”, explica.

Ingrid espera que a justiça seja feita. “Os jurados estavam exaustos. O promotor chegou a comentar que tinha uma cochilando. Como foi reconhecida a autoria e o dolo, não há dúvidas que ocorreu um erro técnico que em breve será corrigido. Foi nitidamente um erro. A justiça será feita com toda certeza”, completa.

Crime

Foto: Divulgação
Ele foi baleado na cabeça dentro de seu carro

Fernando da Costa Ghio foi morto com um tiro na cabeça no dia 14 de julho de 2017, no interior de seu veículo, enquanto transitava pela Rodovia do Contorno, em Cachoeiro. Após ser baleado, ele capotou com o veículo em uma ribanceira, às margens da rodovia.

Até então, o caso era tratado como acidente de trânsito. Quando o corpo da vítima foi removido para a Serviço Médico Legal (SML), foi constatado que a causa da morte teria sido um tiro na cabeça.

Encomenda

Nas investigações da Polícia Civil, uma quinta pessoa é apontada por ter ordenado a morte de um dos empresários envolvidos no crime. Essa pessoa, que teve a prisão negada pela Justiça na época, prestava serviços para o César e procurou Fernando, que pediu R$ 30 mil para a execução do César. Depois disso, o Fernando contratou Leonardo para a execução do serviço. Fernando teria prometido R$ 15 mil pela morte do empresário.

A negociação se arrastou por algum tempo, e em um determinado momento, os irmãos tomaram a decisão de repelir a ameaça. No dia do crime, Leonardo ligou para Fernando e marcou de encontra-lo no trevo que dá acesso à Rodovia do Contorno. No local marcado, Leonardo e Creisson entraram no veículo da vítima, que, com uma arma apontada na cabeça, passou a seguir o rumo ordenado. Em um determinado momento, Fernando tentou tomar a arma, mas foi baleado.